As tratativas para um acordo de delação entre o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e a Polícia Federal devem avançar nesta semana. A expectativa é de que ele assine até amanhã o termo de confidencialidade. Após isso, a defesa deve apresentar formalmente o esboço da proposta de colaboração com as autoridades. Os investigadores apontam que a participação de Costa é importante para apontar onde está boa parte dos recursos obtidos pelo Banco Master com o esquema criminoso.
A maior parte dos recursos teria sido enviada ao exterior, para a compra de bens ou aplicação em paraísos fiscais. Investigadores avaliam que recuperar o montante é fundamental para ressarcir órgãos públicos afetados, como o BRB, e correntistas que perderam dinheiro após a liquidação das instituições envolvidas.
Costa, de acordo com agentes, é integrante da cúpula da organização criminosa montada para lavar dinheiro e operacionalizar o tráfico de influência. O papel dele não se resumiria ao cargo de presidente do banco distrital. Ele seria do núcleo financeiro do esquema.
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As diligências apontam, no entanto, que Costa não seria um dos chefes do sistema criminoso, já que recebia ordens e poderia ser tirado da gestão do banco a qualquer momento. Mas teria poder de decisão e informações privilegiadas sobre as fraudes e o fluxo financeiro.
O ex-presidente do BRB prometeu entregar, nos próximos dias, informações importantes, citando autoridades beneficiadas. Um dos alvos é o ex-governador Ibaneis Rocha, que, de acordo com fontes ligadas ao caso, daria ordens para liberar pagamentos. Ibaneis foi questionado, mas não se manifestou sobre o caso. Porém, em declarações públicas anteriores, negou qualquer envolvimento com ilicitudes.
Costa, no entanto, não apresentou, até agora, provas do envolvimento de Ibaneis. Por conta disso é que o ex-governador não foi alvo de nenhuma diligência. A tendência, desta vez, é de que a delação do ex-chefe do BRB seja aceita. Além de autoridades do Distrito Federal, ele deve apontar bens no exterior que foram comprados com dinheiro do esquema do Master e facilitar a cooperação internacional da Polícia Federal com os países que receberam os recursos.
Entrave
Investigadores da PF ressaltam que as diligências da Operação Compliance Zero já estão avançadas. Uma parte importante do esquema, inclusive sobre os núcleos político e financeiro, está desvendada. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também tem em seu poder dados relevantes, que podem tornar as delações desnecessárias.
Um receio dos agentes é que Costa, diretamente beneficiado pelo esquema, e Daniel Vorcaro, dono do Master, recebam punições brandas, criando uma sensação de impunidade.
O ex-presidente do BRB, de acordo com o que avaliam investigadores, teria total ciência de tudo que aconteceu com o banco da capital federal, das operações fraudulentas e, inclusive, teria acelerado a compra de títulos podres diante do risco de que o esquema fosse descoberto. Questionada, a defesa dele não quis se pronunciar sobre o caso.
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