Responsável por conduzir a comissão criada pela direção nacional do MDB para analisar a crise interna da legenda no Distrito Federal, o deputado federal Isnaldo Bulhões (AL) afirmou que ainda está em fase de escuta das lideranças locais e que não há uma posição definida sobre os rumos que serão propostos à Executiva Nacional na reunião marcada para amanhã (11/6).
Em entrevista ao Correio, o líder do MDB na Câmara dos Deputados disse que tem mantido conversas com diferentes segmentos do partido no Distrito Federal para construir um diagnóstico que represente as diversas correntes da legenda.
“Ainda está embrionário. Estou conversando com os setores do partido aqui no Distrito Federal. Já estive com o presidente da Câmara Legislativa, já conversei com o deputado federal Rafael Prudente (DF). Sigo dialogando para buscar um posicionamento plural”, afirmou.
A comissão foi criada pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP), após o requerimento apresentado pelo deputado federal Rafael Prudente e pelos deputados distritais Jaqueline Silva, Hermeto, Iolando e Daniel Donizet. O grupo questiona a condução política do diretório regional, atualmente presidido por Wellington Luiz, especialmente em relação às definições para as eleições de 2026.
Segundo Bulhões, a discussão ainda está em aberto e o objetivo é encontrar uma saída que fortaleça a posição do MDB no cenário político local.
“Preciso conversar com algumas pessoas, com Wellington Luiz e com outros setores do partido. Primeiro, para discutir a provocação que foi feita de forma legítima e encontrar um caminho para que o MDB no Distrito Federal fique bem posicionado”, disse.
O parlamentar classificou o movimento iniciado pelos deputados distritais e por Rafael Prudente como uma iniciativa prevista nas regras internas da legenda. “Isso tudo nasceu de uma provocação baseada no estatuto do partido”, ressaltou.
Ao comentar o papel de Rafael Prudente no processo, Bulhões elogiou o correligionário e destacou sua relevância dentro da sigla.
“É um querido amigo, um grande deputado. Com todo respeito aos demais colegas do Distrito Federal, é indiscutivelmente um dos melhores parlamentares.”
Eleições 2026
Questionado sobre os cenários eleitorais para 2026, o relator evitou antecipar qualquer conclusão. Segundo ele, o MDB precisa manter abertas todas as possibilidades de construção política antes de tomar uma decisão.
“O partido tem que ter todos os horizontes. Pode compor com o Progressistas, pode ter candidatura própria. Também precisa dialogar com outros partidos que são aliados em outras unidades da Federação”, observou.
Para Bulhões, o principal desafio é construir uma solução capaz de reunir a maioria das lideranças partidárias em torno de um mesmo projeto.
“O que precisa é ajustar para abrir a discussão, não ficar apenas com um lado sem a maioria concordar. Quem vence é a maioria. O MDB não é um partido que tem dono. É um partido que tem instâncias, convenções e discussão interna”, afirmou.
Sem antecipar o teor do relatório que apresentará à Executiva Nacional, o deputado resumiu o momento vivido pelo MDB no Distrito Federal com uma expressão comum na política nordestina: “Isso é um freio de arrumação”.
Entenda o processo
Segundo uma fonte do MDB ouvida pela reportagem sob reserva, não existe um rito específico previsto para esse tipo de situação. A prática adotada pela legenda é ouvir os envolvidos, reunir informações sobre o caso e elaborar um relatório que sirva de base para a deliberação da Executiva Nacional.
De acordo com interlocutores, o pedido apresentado pelos parlamentares está amparado em uma resolução aprovada pelo próprio MDB para disciplinar decisões relacionadas ao período eleitoral. Trata-se de um mecanismo específico previsto para a definição de candidaturas e estratégias eleitorais.
A palavra final caberá à Executiva Nacional ou, em determinadas situações, à própria comissão encarregada da análise. Em casos considerados urgentes, o presidente nacional também pode adotar uma decisão que posteriormente seja submetida ao referendo das instâncias partidárias.
A tendência é que a deliberação ocorra por maioria simples dos integrantes da Executiva Nacional. O mesmo critério pode ser aplicado caso a decisão seja tomada no âmbito da comissão designada para examinar o caso.
Enquanto a análise não é concluída, seguem suspensas as decisões do diretório regional relacionadas ao objeto do requerimento.
Segundo a fonte consultada, eventuais medidas disciplinares dependeriam das circunstâncias concretas de cada caso, já que o conflito de posições faz parte da dinâmica partidária e do processo democrático interno.
