França

Lula cobra mais recursos para desenvolvimento sustentável em discurso no G7

Segundo o presidente, faltam atualmente US$ 4 trilhões por ano para que sejam cumpridos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo por maior compromisso financeiro das nações desenvolvidas com a agenda global de desenvolvimento sustentável durante discurso na reunião ampliada do G7, realizada nesta terça-feira (16/6), em Évian-les-Bains, na França.

Ao abordar o tema Firmar Novas Parcerias e Reconstruir a Solidariedade Internacional, Lula afirmou que o mundo enfrenta um “deficit de implementação e de vontade política” para enfrentar desafios globais cada vez mais urgentes.

Segundo o presidente, faltam, atualmente, US$ 4 trilhões por ano para que sejam cumpridos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Lula também destacou que a COP30 expôs novamente a distância entre os compromissos assumidos pelos países ricos e os recursos efetivamente disponibilizados. “Para acelerar a implementação do Acordo de Paris, é preciso ampliar o financiamento climático para, pelo menos, US$ 1,3 trilhão”, afirmou.
No discurso, o presidente criticou a retração do apoio internacional a programas humanitários e de desenvolvimento. “Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe”, declarou, citando uma queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento em 2025.
Lula ressaltou ainda os cortes no financiamento de organismos multilaterais, apontando que o World Food Programme — o Programa Mundial de Alimentos — perdeu cerca de 40% dos recursos, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reduziram seus orçamentos em mais de 20%.
“Não são cifras abstratas. Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento”, disse Lula, acrescentando que esses cortes significam “milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada, crianças sem frequentar a escola, mulheres privadas de proteção, e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas”.
O presidente também criticou a prioridade global dada aos gastos militares em meio ao agravamento de crises sociais. “Guerras e conflitos continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento. Os gastos militares anuais somam quase US$ 3 trilhões”, afirmou.

Desigualdade econômica 

Ao abordar a desigualdade econômica internacional, Lula destacou que países em desenvolvimento transferem anualmente US$ 1,4 trilhão em pagamento de dívidas, valor que, segundo ele, equivale a sete vezes mais do que recebem em ajuda dos países ricos. “Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças”, defendeu.
O petista afirmou que o problema global não está na falta de recursos, mas na ausência de ação coordenada. “Está claro que o desafio não é administrar a escassez. O deficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política”, declarou.
Como alternativas, Lula citou mecanismos como a troca de dívida por investimentos em ação climática e projetos sociais, além de destacar iniciativas lideradas pelo Brasil. Entre elas, mencionou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, voltado à conservação de biomas, e a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que busca compartilhar experiências e ampliar políticas públicas de combate às desigualdades.
Lula também elogiou a proposta da presidência sul-africana do G20 para a criação de um Painel Internacional sobre Desigualdade, destacando que a iniciativa poderá fornecer dados e evidências para formular respostas globais coordenadas ao avanço das desigualdades.

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