
Um militar foi conduzido à delegacia após ser flagrado transportando uma arma atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), em Taguatinga, na noite de segunda-feira (15/6).
O caso foi comunicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O boletim de ocorrência foi encaminhado ao gabinete do ministo do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, na manhã desta terça-feira (16/6), por meio da Execução Penal (EP) 169 — procedimento relacionado ao acompanhamento das determinações judiciais envolvendo o ex-chefe do Executivo.
Segundo o registro da ocorrência, o militar, que atua no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), conduzia um veículo oficial da Presidência da República quando foi parado em uma blitz da Lei Seca no Pistão Norte, em Taguatinga. Durante a fiscalização, os policiais encontraram uma pistola Glock calibre 9 milímetros e um carregador contendo 30 munições no interior do automóvel.
O militar foi levado à 21ª Delegacia de Polícia, onde prestou depoimento. À polícia, ele afirmou que a arma é de Jair Bolsonaro e que havia retirado o armamento para realizar um reparo no percussor após identificar uma falha mecânica. Segundo a versão, a manutenção seria concluída e a pistola devolvida ao ex-presidente no dia seguinte. Após os procedimentos, ele foi liberado, enquanto a arma permaneceu apreendida para investigação.
Em nota oficial, a Polícia Militar do Distrito Federal informou que o militar estava com uma arma institucional regularmente portada, mas que uma segunda arma de fogo foi localizada no veículo e que ele declarou não ter a documentação da segunda arma encontrada no veículo e que afirmou se tratar de armamento pertencente a terceiro.
A corporação ainda ressaltou que não confirma a propriedade da arma e que a identificação de sua origem, regularidade e eventual vinculação a qualquer pessoa dependerá da apuração conduzida pelos órgãos competentes.
Defesa e comando da PMDF têm 24 horas para prestar esclarecimentos
Após o recebimento da ocorrência, Moraes determinou que a defesa de Jair Bolsonaro explique, em até 24 horas, a posse de uma arma de fogo em sua residência. O magistrado quer saber por que o ex-presidente mantinha armamento em casa e por que solicitou o conserto justamente na véspera do fim do prazo de 90 dias de sua prisão domiciliar.
Além das explicações da defesa, o STF intimou o comando da Polícia Militar do Distrito Federal a esclarecer se a ordem de revistar todos os veículos que saem da residência de Jair Bolsonaro está sendo cumprida rigorosamente. O ministro também cobrou informações sobre a retenção de celulares dos seguranças do GSI, que devem ser deixados fora da habitação.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão e está, atualmente, em regime de prisão domiciliar humanitária para tratamento de saúde.
O Corrreio tenta contato com a defesa do ex-presidente. Até o momento da publicação da matéria não houve retorno. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de resposta.

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