OPERARAÇÃO COMPLIANCE ZERO

Master: PF cita imóvel de R$ 2,4 mi e repasses a empresas ligadas à Jaques Wagner

Segundo a Polícia Federal, o líder do governo no Senado teria recebido vantagens econômicas indevidas no caso Master

*Por Letícia Passos

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, é investigado pela Polícia Federal por receber vantagens econômicas indevidas envolvendo o caso Master.

A PF aponta que o senador, alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, teria recebido benefícios luxuosos como um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhoes, ingressos para shows internacionais, voos em aeronaves privadas e pagamentos de R$ 3,5 milhões a empresas relacionadas ao seu núcleo familiar. 

Como contrapartida, Wagner teria favorecido temas de interesse do Banco Master em sua atuação no Congresso Nacional, servindo como articulador de emendas sobre crédito consignado e o Fundo Garantidor de Créditos. 

A apuração policial afirma que Jaques Wagner mantinha relação próxima e antiga ao também investigado Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e controlador do agora liquidado Banco Pleno. 

A investigação apontou que a ligação entre ambos se sustentava em uma dinâmica de troca de interesses, na qual Wagner recebia vantagens econômicas e, em contrapartida, atuava na condução de tratativas favoráveis aos interesses do Banco Master.

Um dos benefícios recebidos pelo senador petista envolve a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador (BA), no empreendimento Poème Horto. Os dados do empreendimento, conforme a PF, foram encamihados pelo senador a Augusto Lima, que atuou nas negociações relacionadas à compra do imóvel.

Outro eixo da investigação diz respeito à atuação do senador em pautas legislativas de interesse do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, mensagens e registros de contato indicam que Jaques Wagner acompanhava discussões relacionadas à Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, que tratava do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A apuração descreve uma sequência de interações envolvendo Augusto Ferreira Lima, Daniel Vorcaro, Guilherme Sodré e integrantes do gabinete do senador. Em 13 de agosto de 2024, data em que a emenda foi apresentada, Augusto Lima realizou uma ligação para Jaques Wagner com duração de pouco mais de nove minutos e, na sequência, encaminhou ao parlamentar o link da proposta. Dias depois, após um encontro presencial entre ambos, o material foi reenviado ao senador.

Para os investigadores, os contatos reforçam a hipótese de que Wagner mantinha interlocução frequente com integrantes do grupo econômico ligado ao Banco Master em temas considerados estratégicos.

A Polícia Federal também destacou uma mensagem enviada por Augusto Lima em março de 2025, durante as negociações para a venda do Banco Master ao BRB. Ao explicar os termos da operação ao senador, Augusto escreveu: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso".

Na avaliação da PF, a mensagem sugere que Jaques Wagner não figurava apenas como destinatário de informações sobre os negócios do grupo, mas como interlocutor relevante em discussões consideradas sensíveis pelos investigadores.

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