A eleição de Abelardo de la Espriella para a Presidência da Colômbia foi festejada pelos pré-candidatos à Presidência pelo espectro da direita. Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) fizeram questão de saudar a vitória do advogado e empresário, que se apresentou ao pleito no país vizinho como um "outsider" disposto a pôr fim à experiência de um governo de esquerda, o de Gustavo Petro — que não consegiu fazer de Iván Cepeda seu sucessor.
Flávio postou um vídeo no X (antgo Twitter) falando em espanhol parabenizando Espriella e afirmando que "sua vitória é uma vitória do bem sobre o mal". Na mesma rede, Caiado fez questão não apenas de parabenizar o presidente eleito da Colômbia, mas, também, anunciar uma futura parceria em eventual chegada do ex-governador de Goiás ao Palácio do Planalto.
"Parabéns ao presidente eleito da Colômbia, Abelardo de La Spriella. Espero que o governo brasileiro respeite a vontade soberana do povo colombiano e reconheça o resultado do processo eleitoral democrático. Eleito presidente, vou construir uma forte aliança com a Colômbia e todos os países limítrofes para combatermos juntos a violência e narcotráfico, devolvendo a paz ao continente", salientou.
No Instagram, Zema exaltou a guinada da América Latina à direita ao listar os países presididos por representantes desse espectro. "Vitória fundamental para o Brasil barrar o fluxo de cocaína que vem da Colômbia para cá. Que seja um presidente firme no combate ao crime, com valores e princípios inegociáveis. Boa sorte!", publicou.
Até o fechamento desta edição, o governo brasileiro não tinha se manifestado sobre a vitória de Espriella. Mas a praxe é aguardar a oficialização de que a eleição no país vizinho está encerrada com a contagem de votos e o anúncio do vencedor.
Com a mudança em Bogotá, o Palácio do Planalto vê reduzir sua margem de articulação regional. Atualmente, Brasil, Guiana, Suriname, Uruguai, Venezuela e parte da Bolívia mantêm governos de esquerda ou centro-esquerda. Caso Keiko Fujimori confirme a vitória no Peru, o bloco de direita passará a reunir sete países, formando maioria no continente. A nova configuração fortalece uma aproximação entre governos alinhados ideologicamente e amplia a influência dos Estados Unidos sobre temas estratégicos da região.
Reação social
Segundo o advogado especialista em direito eleitoral Luiz Gustavo Cunha, a vitória colombiana faz parte de um movimento mais amplo observado em vários países da América do Sul. "Não se trata apenas de uma alternância eleitoral comum, mas de uma reação de parcelas significativas da sociedade a problemas persistentes relacionados à segurança pública, ao crescimento econômico e à insatisfação com governos identificados com a esquerda", afirma. Para ele, há uma demanda crescente por lideranças que defendam redução do tamanho do Estado, fortalecimento da ordem pública e maior liberdade econômica. Apesar disso, Cunha ressalta que ainda é cedo para afirmar que se trata de uma transformação definitiva.
Ele avalia que o Brasil dificilmente ficará isolado diplomaticamente, devido ao seu peso econômico e geopolítico, mas admite que a presença crescente de governos conservadores tende a reduzir a capacidade de liderança regional exercida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Quanto maior for a divergência entre Brasília e os governos vizinhos, mais difícil será coordenar agendas comuns em temas estratégicos", observa.
Na avaliação de Cunha, a eventual vitória de Keiko Fujimori no Peru aumentaria a convergência em pautas relacionadas à segurança pública, combate ao crime organizado e atração de investimentos privados, além de elevar a pressão política sobre governos de esquerda.
Outro elemento que preocupa diplomatas é a crescente aproximação de líderes sul-americanos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Argentina e Paraguai aderiram, recentemente, ao chamado Conselho da Paz, iniciativa lançada por Washington para discutir a situação na Faixa de Gaza. Espriella recebeu manifestações de apoio da Casa Branca na campanha e defende uma política de endurecimento no combate ao narcotráfico, ampliação da cooperação militar com os EUA e ações mais rigorosas contra grupos armados e organizações criminosas.
Para Cunha, a identificação do novo presidente colombiano com o bolsonarismo tende a produzir reflexos no cenário brasileiro. "Toda vitória eleitoral de uma liderança ideologicamente próxima ao campo conservador brasileiro acaba produzindo reflexos políticos internos. Enquanto persistirem problemas como insegurança pública, desaceleração econômica e descrédito institucional, lideranças conservadoras continuarão encontrando espaço eleitoral", adverte. (Colaborou Fabio Grecchi)Saiba Mais
