O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a retomada do sigilo da investigação que mira o senador Ciro Nogueira (PP-PI) por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O despacho foi assinado nesta quarta-feira (24/6).
Segundo Mendonça, o sigilo é necessário para proteger o andamento do inquérito, que ainda está em curso. A retomada atinge dois processos, que levaram à prisão preventiva de dois parentes do banqueiro: Henrique Vorcaro, seu pai; e Felipe Vorcaro, seu primo.
O ministro do STF, que relata as investigações do Caso Master, havia retirado o sigilo dos casos na terça-feira passada (16), após o ministro Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma, colocar a prisão dos parentes de Vorcaro na pauta de forma repentina.
A derrubada do sigilo trouxe a público uma série de informações sobre a proximidade entre Ciro e Vorcaro, como fotos dos dois em cenas de amizade, durante viagens internacionais, refeições de R$ 122 mil em resorts na França, troca de favores e envios de minutas de projetos de lei entre os dois.
Os documentos mencionam ainda outras lideranças políticas, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que teve a hospedagem em um hotel cinco estrelas de Lisboa paga por Vorcaro, quando participou de um evento na capital portuguesa.
Motta confirmou a estadia, mas negou irregularidade por se tratar de um encontro institucional. "Não vejo problema", pontuou.
Embate no STF
A derrubada do sigilo ilustrou o embate entre Mendonça e Gilmar Mendes envolvendo o Caso Master. Na votação da Segunda Turma, Mendes foi a única divergência, votando pela conversão da prisão de Henrique Vorcaro em domiciliar, e pela soltura de Felipe Vorcaro. Os demais magistrados mantiveram a pena.
Na sessão, Mendes criticou a condução do caso, e o comparou à Operação Lava-Jato, que teve penas anuladas pelo Supremo anos depois por irregularidades processuais. Mendonça, por sua vez, reforçou que determinou a prisão preventiva de Henrique e Felipe porque há evidências de que os dois cometeram crimes, como ocultação de patrimônio, mesmo após o início das operações contra o Banco Master.
