O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o encaminhamento imediato do Inquérito 5.045 à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão decida se oferece denúncia contra o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A decisão ocorre após a Polícia Federal (PF) finalizar seu relatório concluindo que há prova de materialidade e indícios de autoria de que o parlamentar cometeu o crime de calúnia contra o atual presidente e pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo os autos, o senador utilizou suas redes sociais para atribuir falsamente ao chefe do Executivo crimes graves, como tráfico internacional de drogas e armas, alegando que ele seria alvo de uma “delação” feita por Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela. Com o envio dos autos, a PGR tem agora um prazo de 15 dias para tomar as devidas providências legais.
Em seu perfil no X (antigo Twitter), em 3 de janeiro, Flávio postou uma imagem do ex-presidente venezuelano com a legenda “CAYO MADURO - CAPTURADO” e uma notícia sobre uma reunião de emergência com o governo brasileiro.
O texto que acompanhava as imagens afirmava que “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”.
A PF destacou que o uso da palavra “delatado” remete diretamente ao instituto da colaboração premiada, que legalmente só existe se a pessoa citada tiver participado de um crime. Ao listar crimes específicos (tráfico, lavagem de dinheiro, etc) logo após mencionar a delação, o senador teria, na visão dos investigadores, consumado a calúnia ao imputar fatos criminosos falsos ao presidente.
O crime de calúnia está previsto no artigo 138 do Código Penal. A acusação conta com agravantes pelo fato de a ofensa ser dirigida ao presidente da República (artigo 141, inciso I) e por ter sido divulgada em redes sociais (artigo 141, parágrafo 2º), elementos que podem elevar a pena.
Antes da elaboração do relatório final, a defesa de Flávio Bolsonaro tentou realizar diversas diligências extras, mas o pedido foi indeferido por Moraes no dia 15 de junho de 2026. Com o fim da investigação policial, o processo avança para a fase de análise ministerial. Agora, cabe à PGR decidir se oferece a denúncia criminal, se pede o arquivamento do caso ou se solicita novas diligências, caso considere necessário.
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