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Em crise com Michelle, Flávio Bolsonaro busca apoio de Milei

Em meio ao desgaste provocado pelo conflito com Michelle, senador aposta em agenda internacional para reposicionar pré-campanha e reforçar aliança com líderes da direita latino-americana, como o argentino Milei, que pregou uma "onda azul" chegando ao Brasil

Em momento conturbado da pré-campanha à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi procurar no presidente da Argentina, Javier Milei, não apenas um aliado ideológico, mas também um importante avalista de sua corrida ao Palácio do Planalto. Em reunião, nessa segunda-feira, na Quinta de Olivos, residência oficial, o chefe de Estado argentino afirmou ao parlamentar brasileiro ter convicção de que a chamada "onda azul" — expressão usada por setores conservadores para definir o avanço da direita na América Latina — chegará ao Brasil ainda neste ano.

O encontro, que durou cerca de uma hora, foi o ponto alto da agenda de Flávio em Buenos Aires e ocorre em um momento particularmente sensível para sua pré-campanha. Nas últimas semanas, o senador viu a estratégia eleitoral ser atravessada pela crise aberta após as críticas públicas feitas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro — episódio que expôs divisões dentro do bolsonarismo e monopolizou o debate entre apoiadores de direita.

A agenda argentina dá continuidade a uma estratégia que vem sendo construída pela pré-campanha desde o início do ano. Em maio, Flávio esteve nos Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente Donald Trump e integrantes do governo norte-americano. A viagem foi explorada politicamente por seus aliados após a decisão das autoridades americanas de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Na próxima segunda-feira, Flávio deve participar de audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), nos Estados Unidos, que discutirá a aplicação de novo tarifaço, de 25%, sobre produtos brasileiros. Segundo ele, pedirá que o governo norte-americano não confirme a taxa extra. Na semana passada, porém, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou, em carta enviada a Flávio, que a gestão Trump manterá a proposta impor o tarifaço. O documento, datado de 23 de junho de 2026, foi enviado em resposta a uma correspondência do parlamentar brasileiro, na qual pediu que a taxa não fosse concretizada.

Afagos a argentinos 

Na Argentina, antes do encontro com Milei, Flávio deu, no domingo, o tom de sua passagem pelo país, durante discurso na abertura da Latin America Chairmen's Conference, evento que reúne empresários, parlamentares e representantes da comunidade judaica internacional.

Ao abordar o cenário político regional, o pré-candidato apresentou o Brasil como a peça que falta para consolidar uma maioria de governos conservadores no continente.

"Nós, os brasileiros, olhamos para esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque enquanto nossos vizinhos, um a um, elegem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda continua preso ao passado. Nós somos a peça que falta nesse mapa", frisou.

Em outro trecho, projetou a disputa presidencial brasileira como um marco para a direita sul-americana. "Venho aqui dizer, com todas as letras: em outubro isso muda. Em outubro, o Brasil entra nessa onda. O Brasil será o próximo", declarou, sob aplausos da plateia.

Flávio dedicou parte de sua fala a elogiar as medidas adotadas por Milei desde que assumiu a Casa Rosada e afirmou que a percepção dos brasileiros sobre o país vizinho mudou nos últimos anos.

"Durante anos, a frase que mais ouvíamos era: 'Cuidado, ou vamos terminar como a Argentina'. A Argentina era o nosso fantasma. E então chegou Javier, cortou na própria carne do Estado, reduziu ministérios, acabou com privilégios e equilibrou as contas", enumerou.

Na sequência, usou a comparação para criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Hoje, no Brasil, em vez de termos medo de terminar como a Argentina do passado, passamos a ter esperança de terminar como vocês hoje", acrescentou.

Além da pauta econômica, a segurança pública apareceu como um dos principais eixos do discurso. Flávio voltou a defender uma atuação mais dura contra facções e argumentou que o crime organizado deixou de ser um problema exclusivamente nacional para se tornar um desafio regional.

"Há um mal que nenhuma prosperidade vai resolver sozinha, se não o enfrentarmos juntos. É o maior problema do nosso continente: a violência promovida pelos cartéis, que deixaram de ser facções locais e se transformaram em organizações transnacionais", afirmou.

 

 

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