
“Não perco meu tempo.” Foi dessa forma que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, respondeu ao Correio ao ser questionado sobre a publicação feita pelo ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, que cobrou mudanças na estrutura da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A manifestação de Wajngarten foi publicada na quarta-feira (8/7), na rede social X, e teve como destinatário direto o presidente da legenda. No texto, ele afirma que “time que não performa tem que mexer” e sugere uma ampla reformulação da equipe responsável pela campanha. Entre as mudanças defendidas estão a nomeação de Marcello Lopes, o “Marcelão”, como coordenador-geral; Duda Lima para a Diretoria de Operações da Comunicação; Walter Longo para o planejamento estratégico; e Antônio “Toninho” para a direção de criação.
O ex-integrante do governo Bolsonaro também propõe que lideranças dos segmentos católico, evangélico, do agronegócio, da segurança pública, da saúde, da educação e do varejo passem a integrar reuniões periódicas da campanha. Ao final da publicação, faz críticas à condução dos trabalhos: “Chega de erros, chega de ruídos, chega de quem não conhece nem gosta do bolsonarismo. Ninguém quer mais o PT”.
Crise com Michelle
Embora Valdemar tenha evitado alimentar a polêmica, a cobrança ocorre em um momento delicado para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, marcada por uma sequência de crises políticas e reorganizações internas.
O episódio de maior repercussão foi o rompimento com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A crise começou por divergências sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará, especialmente em torno da disputa por uma vaga ao Senado. O conflito extrapolou os bastidores quando Michelle publicou um vídeo afirmando ter sido humilhada por Flávio e anunciou seu afastamento da coordenação do PL Mulher e da pré-campanha presidencial. O embate expôs fissuras dentro da família Bolsonaro e obrigou aliados a atuar para conter o desgaste.
Paralelamente, a área de comunicação da campanha passou por sucessivas mudanças. O desgaste provocado pela repercussão do caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, levou integrantes do partido a defenderem uma revisão da estratégia de comunicação e da estrutura da equipe. As alterações alimentaram críticas de parlamentares e aliados, que passaram a apontar falta de coordenação e dificuldade para responder às crises.
Nos bastidores, outro foco de preocupação tem sido a necessidade de reaproximar setores tradicionais do bolsonarismo. Integrantes do partido avaliam que lideranças religiosas e das mulheres perderam espaço nas decisões estratégicas da campanha.

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