
O Partido Liberal (PL) intensificou as negociações para garantir o apoio do Republicanos à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Nesta quarta-feira (8/7), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o coordenador-geral da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), reuniram-se, em Brasília, com dirigentes do Republicanos para discutir uma aliança nacional e destravar impasses nos palanques estaduais antes das convenções partidárias.
As conversas envolvem um acordo de reciprocidade entre as siglas. O Republicanos busca o apoio do PL em disputas para governos estaduais e para o Senado em estados como Acre, Espírito Santo, Mato Grosso, Roraima e Minas Gerais. Em contrapartida, a legenda apoiaria a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
Em outras unidades da Federação, os partidos poderão seguir caminhos distintos ou manter alianças já consolidadas, como ocorre em São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) integra o mesmo campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo Rogério Marinho, o foco da articulação é ampliar a base de apoio da pré-candidatura antes da definição das coligações estaduais. "Estamos conversando com os estados e partidos, fazendo um trabalho que antecede a convenção, buscando ampliar primeiro o leque de apoios e depois resolver os palanques regionais", afirmou o senador após o encontro. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, participou das reuniões, que reuniram lideranças estaduais para discutir os principais entraves às alianças.
Entre os temas debatidos estiveram as disputas locais no Acre e no Espírito Santo. Participaram das conversas o senador Allan Rick (Republicanos-AC), o deputado federal Roberto Duarte (Republicanos-AC), representantes do senador Márcio Bittar (PL-AC), além do senador Magno Malta (PL-ES) e de sua filha, Maguinha Malta, pré-candidata ao Senado.
Magno defendeu que, além dos acordos eleitorais, haja alinhamento entre os partidos em pautas como a defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), temas que considera centrais para a campanha do campo conservador.
As negociações ocorrem em meio à expectativa do PL de ampliar a coalizão em torno de Flávio Bolsonaro. Mais cedo, durante evento promovido por frentes parlamentares ligadas à indústria e ao empreendedorismo, Valdemar afirmou acreditar que partidos como PP, Republicanos e Podemos deverão integrar o bloco de apoio ao senador nas eleições de 2026. Apesar do otimismo, as tratativas seguem abertas e ainda dependem da solução de disputas regionais que envolvem as duas legendas.
Paralelamente às negociações nacionais, a direção do PL tenta administrar a crise interna provocada pelas divergências no Ceará. A vereadora de Fortaleza e vice-presidente nacional do PL Mulher, Priscila Costa, reuniu-se com a cúpula do partido para discutir seu futuro político.
O impasse ocorre após o embate público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro sobre a definição da candidatura ao Senado no estado. Enquanto Michelle defende o nome de Priscila, parte da direção estadual apoia outro projeto eleitoral. Marinho afirmou que a prioridade é preservar o projeto nacional da legenda e sinalizou que Priscila poderá disputar outro cargo em 2026, caso isso favoreça a estratégia eleitoral do partido.

Política
Política
Política