
Levantamento da Genial/Quaest divulgado nesta quinta-feira (16/7) indica que a maioria dos brasileiros atribui ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a responsabilidade pelo agravamento da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. A pesquisa também aponta que o episódio tem repercussão negativa sobre sua imagem, inclusive entre parte do eleitorado de direita.
Os dados foram coletados entre os dias 10 e 13 de julho, antes de o governo dos Estados Unidos confirmar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, anunciada na quarta-feira (15/7). O estudo foi encomendado pela Genial Investimentos.
Reponsabilidade pelo tarifaço
Os entrevistados foram questionados sobre qual versão consideram mais convincente: a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que afirma que Flávio Bolsonaro solicitou ao presidente Donald Trump a adoção de sanções comerciais contra o Brasil, ou a do senador, que nega a acusação e diz ter pedido justamente que o país não fosse taxado.
Segundo a pesquisa, 51% concordam com a versão apresentada por Lula, enquanto 30% acreditam na explicação de Flávio Bolsonaro. Em comparação com o levantamento de junho, o percentual favorável ao presidente subiu de 47% para 51%, enquanto o apoio à narrativa do senador recuou de 35% para 30%. Outros 6% disseram não saber ou preferiram não responder.
Motivo das tarifas
A pesquisa também mediu a percepção dos brasileiros sobre a razão das medidas adotadas pelos Estados Unidos. Para 49% dos entrevistados, as tarifas representam uma retaliação ao Pix, como sustenta Lula. Já 33% concordam com a avaliação de Flávio Bolsonaro de que a decisão americana seria consequência de declarações do presidente brasileiro contra os EUA.
No levantamento anterior, realizado em junho, a diferença entre as duas interpretações era menor: 46% apoiavam a versão de Lula e 36% a de Flávio. Além disso, 10% afirmaram não concordar com nenhuma das explicações e 8% não souberam responder.
Viagem aos Estados Unidos
O instituto também investigou o conhecimento da população sobre a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar do tema. A maioria dos entrevistados, 57%, afirmou desconhecer a iniciativa.
Entre aqueles que disseram estar informados, prevalece a avaliação de que o senador não tem capacidade de influenciar o governo americano. Para 58% dos entrevistados, Flávio não conseguirá convencer Donald Trump a rever as tarifas impostas aos produtos brasileiros, enquanto 34% acreditam que ele tem força para isso. Outros 8% não opinaram.
Impacto na população
A percepção de que o tarifaço afetará diretamente a vida dos brasileiros também cresceu. De acordo com o levantamento, 63% acreditam que as novas tarifas prejudicarão sua vida ou a de sua família. Em junho, esse percentual era de 55%.
Já os que avaliam que não haverá prejuízo passaram de 37% para 31%, enquanto 6% não souberam responder.
Dados técnicos
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026.
As entrevistas foram realizadas entre os dias 10 e 13 de julho de 2026, por meio de entrevistas domiciliares presenciais (face a face). Ao todo, foram ouvidos 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, em uma amostra selecionada por conglomerados em três estágios, com sorteio de municípios e setores censitários e definição de cotas por região, sexo, faixa etária, escolaridade e renda familiar.
O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A composição da amostra utilizou como referência dados do TSE 2026, da PNAD Contínua 2026/1, da PNAD Contínua 2025/1 e do Censo Demográfico 2022.
Os resultados passaram por calibração estatística por meio do método RAKE e, para estimativas de subgrupos da população, foi utilizado um modelo de regressão multinível com pós-estratificação (MRP).
Em razão dos arredondamentos, a soma dos percentuais pode variar entre 99% e 101%.

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