RELAÇÕES EXTERIORES

Taxação movimenta presidenciáveis e acirra disputa ao Planalto

Lula, aliados de Bolsonaro e possíveis candidatos de 2026 trocam acusações após os Estados Unidos confirmarem sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros

Presidenciáveis de oposição culparam governo pela medida, mas atuação dos Bolsonaro foi criticada -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Presidenciáveis de oposição culparam governo pela medida, mas atuação dos Bolsonaro foi criticada - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros provocou reação imediata entre os nomes cotados para disputar a Presidência da República em outubro. Enquanto aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro atribuíram a medida à condução da política externa do governo Lula, outros pré-candidatos criticaram tanto o Palácio do Planalto quanto a atuação da família Bolsonaro junto às autoridades americanas.

O governo federal divulgou nota na noite de quarta-feira classificando a tarifa como "injustificável" e afirmando que os Estados Unidos acumularam superavit comercial de US$ 424,5 bilhões na relação com o Brasil nos últimos 15 anos. O comunicado também informou que houve negociações contínuas com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) e acusou integrantes da família Bolsonaro de colaborarem com as investigações americanas por motivos eleitorais.

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Nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) responsabilizou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo agravamento da crise comercial. Em vídeo publicado ontem, ele citou declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, para sustentar que o comportamento do governo brasileiro teria contribuído para a adoção da tarifa. Flávio também questionou a capacidade de Lula de conduzir o país e afirmou que o Brasil vive um cenário de incerteza econômica e política.

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), adotou tom semelhante. Em nota enviada à imprensa, o pré-candidato afirmou que "atritos desnecessários" e um "discurso eleitoreiro" prejudicaram a relação com os Estados Unidos. Segundo Zema, uma postura mais técnica poderia ter reduzido o risco de retaliações comerciais, embora tenha considerado a tarifa uma medida protecionista que afeta a competitividade da indústria brasileira e desrespeita a relação histórica entre os dois países.

Já o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), distribuiu críticas aos dois polos da disputa nacional. Em publicação, ele afirmou que o Brasil está sendo prejudicado por atitudes tomadas tanto pelo presidente Lula quanto por Flávio Bolsonaro. Caiado mencionou declarações recentes de Lula sobre o presidente Donald Trump e o pedido encaminhado pelo senador ao USTR para que a entrada em vigor da tarifa fosse adiada para depois das eleições brasileiras.

Para Caiado, os dois lados colocaram interesses eleitorais acima da defesa do país. O governador classificou a decisão americana como uma penalização a trabalhadores e produtores brasileiros e afirmou que o Brasil precisa de uma liderança com maior capacidade de negociação internacional.

O empresário Renan Santos, do Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), também criticou simultaneamente o governo e a família Bolsonaro. Ele afirmou que Lula não buscou uma negociação efetiva com os Estados Unidos e acusou o presidente de tentar explorar politicamente o conflito comercial. Ao mesmo tempo, disse que os Bolsonaro agiram de forma submissa em relação a Donald Trump e contribuíram para o agravamento da crise.

Renan defendeu que uma eventual negociação com Washington deveria incluir temas estratégicos, como a exploração de terras raras brasileiras, e classificou o episódio como uma disputa política em que os interesses econômicos do país teriam sido deixados em segundo plano.

Congresso reage

No Congresso, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado recebeu com preocupação o tarifaço e defendeu que "qualquer medida" seja adotada pelo governo brasileiro com "responsabilidade" e com base em "critérios técnicos, levando em consideração seus impactos sobre a economia nacional e sobre a possibilidade de novas rodadas de negociação". Para eles, o diálogo deve continuar sendo prioridade. 

Nas redes sociais, parlamentares governistas responsabilizaram a família Bolsonaro pelas novas tarifas, chamando-os de "traidores da pátria" e lobistas dos interesses dos EUA. Eles mantêm a linha de que a soberania brasileira é inegociável e sugerem que a postura de Flávio em culpar o presidente Lula pelas tarifas é uma tentativa de desviar a atenção de escândalos envolvendo o Banco Master.

Da parte da oposição, parlamentares sustentaram que a "culpa" das tarifas é do presidente Lula, por transformar a política externa em um instrumento de militância ideológica e estratégia de campanha eleitoral. Citam, inclusive, que o próprio secretário Marco Rubio teria atribuído a responsabilidade ao governo brasileiro: "Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro".

  • Em pronunciamento, à bancada, relator da SUG 6/2021, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
    Em pronunciamento, à bancada, relator da SUG 6/2021, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
  •  13.07.2026 - Presidente da Rep..blica, Luiz In..cio Lula da Silva, durante An..ncio .. imprensa, no Instituto Mau.. de Tecnologia (IMT), em S..o Caetano do Sul - SP...Foto: Ricardo Stuckert
    13.07.2026 - Presidente da Rep..blica, Luiz In..cio Lula da Silva, durante An..ncio .. imprensa, no Instituto Mau.. de Tecnologia (IMT), em S..o Caetano do Sul - SP...Foto: Ricardo Stuckert Foto: Ricardo Stuckert /PR
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LA
postado em 17/07/2026 03:55
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