Legislativo

Recesso adia pautas e expõe disputa por prioridades no Congresso

Proposta contra a misoginia, fim da escala 6x1 e PEC da Segurança ficam para o segundo semestre; governo e oposição divergem sobre os motivos dos adiamentos

O recesso parlamentar começa neste sábado (18/7) e vai até 31 de julho -  (crédito:  Minervino Júnior/CB)
O recesso parlamentar começa neste sábado (18/7) e vai até 31 de julho - (crédito: Minervino Júnior/CB)

O Congresso Nacional inicia neste sábado (18/7) o recesso parlamentar sem concluir a votação de algumas das principais propostas que mobilizaram o debate político ao longo do primeiro semestre. Entre os temas que ficaram pendentes estão o projeto que criminaliza a misoginia, a proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1 e a PEC da Segurança Pública, pautas que agora dependerão da retomada dos trabalhos legislativos em agosto.

O adiamento ocorre em um momento de agenda congestionada e de intensificação das articulações para as eleições de 2026, cenário que já influencia a definição de prioridades na Câmara dos Deputados e no Senado.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Na avaliação da vice-líder do PT na Câmara, deputada Maria do Rosário (PT-RS), o principal revés para a base governista foi a falta de votação do projeto que tipifica a misoginia. A proposta já foi aprovada pelo Senado e aguarda análise dos deputados.

“No primeiro semestre, a Câmara dos Deputados votou o fim da jornada 6x1 e matérias importantes para as mulheres, como, por exemplo, a lei do vicaricídio e a lei das tornozeleiras. Agora, ficou devendo em não votar a misoginia, que era o compromisso principal que nós tínhamos assumido de votar antes do recesso”, afirmou ao Correio.

Segundo a parlamentar, a intenção é retomar a discussão logo na volta das atividades legislativas.

“O objetivo do governo e o objetivo da sociedade civil é retomar a pauta da misoginia no esforço concentrado de agosto da Câmara, até porque o que nós pretendemos é que seja votado o projeto como veio do Senado, dando oportunidade ao presidente Lula sancionar o mais rápido possível, com validade inclusive no período eleitoral.”

A deputada também criticou a demora na tramitação da proposta que extingue a escala 6x1. O texto foi aprovado pela Câmara, mas ainda aguarda o início da análise no Senado.

“Quanto ao 6x1, é pressão total dos sindicatos e dos movimentos no presidente Alcolumbre. Não tem nenhuma razoabilidade, a matéria não está sendo pautada”, disse.

Além dessas matérias, ficaram para depois do recesso propostas como a PEC da Segurança Pública, projetos ligados à regulamentação da inteligência artificial (IA) e iniciativas voltadas ao setor de minerais estratégicos. A expectativa é que os temas voltem à pauta durante os esforços concentrados previstos para agosto e setembro.

Oposição

Para a oposição, no entanto, o adiamento das propostas está diretamente ligado ao calendário eleitoral e à resistência em avançar com matérias consideradas de forte impacto fiscal.

Líder da oposição no Senado, Izalci Lucas (PL-DF) atribuiu ao ambiente pré-eleitoral a dificuldade de avanço das pautas.

“Os projetos não avançaram em função do ano eleitoral. O governo, no seu projeto de poder, não mede as consequências de aprovar projetos populistas e eleitoreiros para ganhar eleição. Mesmo que quebre mais ainda o país”, afirmou à reportagem.

O senador avalia que a tendência é de que o Congresso concentre esforços em temas orçamentários nos próximos meses.

“Com certeza. Os projetos só serão colocados para aprovação depois das eleições e a prioridade será a preparação orçamentária para 2027 para o novo governo de direita. Muitos ajustes terão que ser feitos para corrigir essa política irresponsável e inconsequente do governo PT.”

O recesso parlamentar ocorre entre 18 e 31 de julho. Nesse período, apenas a Comissão Representativa do Congresso permanece em funcionamento para deliberar sobre temas urgentes. A partir de agosto, líderes partidários terão de negociar espaço na pauta para propostas que ficaram pendentes no primeiro semestre e que envolvem temas de grande repercussão social, econômica e política.

  • Google Discover Icon
postado em 17/07/2026 11:01 / atualizado em 17/07/2026 11:01
x