
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello criticou nesta quarta-feira (22/7) as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre as urnas eletrônicas. De acordo com Marco Aurélio, em fala ao Correio, as críticas do parlamentar contra o sistema eletrônico de votação não têm fundamento e são o mesmo que "procurar chifre na cabeça de cavalo".
Em uma reunião com empresários, na terça-feira (21), Flávio afirmou que as urnas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa Smartmatic, usadas na Venezuela e que um relatório da CIA teria apontado que os equipamentos foram usados para fraude eleitoral.
"Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa", disse o parlamentar.
"Há uma denúncia por parte do governo norte-americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação", completou Flávio. Ele repetiu o discurso do pai, Jair Bolsonaro, que questionou as urnas enquanto era presidente da República e ficou inelegível por atacar o sistema eleitoral.
Em nota, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que a informação não procede e que tanto as urnas quanto o software usados são desenvolvidos pela própria Justiça Eleitoral. "São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país", destacou o texto da Corte.
O ministro aposentado Marco Aurélio já comandou o TSE por três vezes. "Penso que em 2006 foram as primeiras eleições das urnas eletrônicas. E havia uma desconfiança enorme quanto às urnas. Inclusive, alguns regionais queriam até não fazer a eleição com a urna eletrônica nas capitais com mais de 100 mil eleitores. E eu disse 'não, vocês não podem decepcionar a sociedade'. Pois bem... As urnas foram criadas naquela época. Eu indago: houve uma impugnação sequer minimamente séria contra a nossa urna eletrônica? Não", afirmou.
O ministro relembrou que ele foi o responsável por conduzir uma das primeiras eleições com urna eletrônica. "Eu, como ex-presidente que presidiu as primeiras eleições informatizadas, afirmo que é ver chifre em cabeça de cavalo ao achar que a urna pode ser fraudada", completou.

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