RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Brasil cobra explicações da Argentina e amplia reação a Milei

Após falas do presidente argentino contra Lula e instituições brasileiras, Itamaraty adotou medidas para demonstrar a insatisfação com o governo vizinho e convocou embaixadores

Milei participou, no sábado (25/7), da convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) -  (crédito:  Marina Uezima/Estadão Conteúdo)
Milei participou, no sábado (25/7), da convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - (crédito: Marina Uezima/Estadão Conteúdo)

O governo brasileiro recebeu, na noite desse domingo (26/7), o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, em reunião no Palácio do Itamaraty para formalizar o descontentamento do Palácio do Planalto com as declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, realizada no sábado (25), em São Paulo.

Segundo interlocutores do governo ouvidos pelo Correio, Raimondi já desembarcou no Brasil e deverá transmitir diretamente a Milei as queixas apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação no entorno do mandatário argentino, contudo, é de que ele não concordou com o teor da reação brasileira e considerou equivocada a manifestação do governo.

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Durante o encontro, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, comunicou ao representante argentino a insatisfação do governo com os ataques feitos por Milei ao presidente Lula, às instituições brasileiras e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A audiência ocorreu após o Itamaraty convocar formalmente o embaixador argentino para prestar esclarecimentos sobre a postura adotada pelo chefe de Estado durante sua passagem pelo Brasil.

Na avaliação do Ministério das Relações Exteriores (MRE), trata-se de uma situação inédita nas relações bilaterais, já que um presidente estrangeiro utilizou uma visita ao país para dirigir críticas ao chefe do Executivo, às instituições democráticas e ao povo brasileiro.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, afirmou o MRE.

Retorno do embaixador brasileiro

Além de convocar o embaixador argentino, Mauro Vieira determinou o retorno do embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília, procedimento adotado em momentos de tensão diplomática.

O representante brasileiro na Argentina deve se reunir com o chanceler a partir da próxima quarta-feira (29). Nesta segunda-feira (27), Vieira acompanha a visita oficial do presidente da Coreia do Sul ao Brasil e, na terça-feira (28), embarca para o Peru, onde participará da cerimônia de posse da presidente eleita. O encontro com Bitelli ocorrerá após o retorno do ministro ao país.

Os ataques de Milei ocorreram durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Em seu discurso, o presidente argentino direcionou críticas a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes.

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AH
postado em 27/07/2026 13:33
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