eleições 2026

Cármen Lúcia defende democracia diante de interferências externas

Sem citar EUA ou Milei, ministra Cármen Lúcia conclama sociedade a estar vigilante às tentativas de fragilizar a democracia brasileira

 06/08/2024 Cr..dito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Bras..lia - DF - MPDFT - Semin..rio Feminic..cio em debat. Prevenir e combater o feminic..dio no marco dos 18 anos da Lei Maria da Penha. Ministra Carmen Lucia.
     -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
06/08/2024 Cr..dito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Bras..lia - DF - MPDFT - Semin..rio Feminic..cio em debat. Prevenir e combater o feminic..dio no marco dos 18 anos da Lei Maria da Penha. Ministra Carmen Lucia. - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), exortou, ontem, que os cidadãos brasileiros defendam a democracia para que "ninguém" possa "interferir" ou "fragilizar" o país. A conclamação foi na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói, no Rio de Janeiro, da qual participou.

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até maio, quando foi sucedida pelo ministro Kássio Nunes Marques, a exortação da ministra pode ser entendida como uma reação às tentativas do governo dos Estados Unidos de interferir nas eleições presidencial brasileiras, em outubro. Embora não tenha citado nomes ou governos, a fala ocorre em meio às recentes tensões diplomáticas envolvendo o Brasil e os EUA, após manifestações do governo de Donald Trump sobre a política brasileira.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

"Há que haver espaços como este, reuniões como esta, que dão a demonstração daqueles vetores, daqueles temas mais importantes para que a gente caminhe e fortaleça a democracia no Brasil e em todos os lugares do mundo. Para que ninguém queira, também, interferir e fragilizar a nossa democracia, que somos nós que temos que falar o que queremos", frisou.

Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores negou visto de entrada a Riley Barnes e Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado norte-americano e subordinados ao secretário Marco Rubio. Ambos são apontados pela imprensa norte-americana como responsáveis pela "guerra cultural" que a Casa Branca pretende disseminar contra governos considerados de esquerda por Washington e que tenham simpatias pelas comunidades islâmicas. Segundo reportagem do The Washington Post, os dois viriam ao Brasil para contestar o processo eleitoral e colocar em dúvida a lisura das urnas eletrônicas.

Agressão verbal

A cobrança de Cármen chega, também, no momento em que Brasil e Argentina mergulham numa inédita crise diplomática, depois das ofensas do presidente Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do STF. Na convenção do PL, sábado, que confirmou o senador Flávio Bolsonaro (RJ) candidato do partido à Presidência da República, o chefe de Estado argentino chamou o presidente brasileiro de "presidiário" e o magistrado de "lixo careca".

Segundo a ministra, a participação da sociedade e a produção científica são elementos de consolidação do Estado Democrático de Direito. Para Cármen, espaços de debate, como a reunião da qual participou, contribuem para o fortalecimento das instituições e da democracia. Ela também destacou que o compromisso com os valores democráticos exige vigilância permanente diante de qualquer tentativa de enfraquecimento institucional.

No evento da SBPC, Cármen reforçou a importância do voto para a manutenção da democracia e disse que o futuro do país precisa ser decidido "pela mão do povo". "No caso brasileiro, a gente nem precisa da mão, mas do toque de um dedo na nossa urna eletrônica segura, transparente, auditável, do povo. Do povo brasileiro, na urna brasileira. Feita para o Brasil, assumida pelo povo", afirmou.

Ela ainda lembrou dos tempos de estudante na ditadura militar e ressatou: "Não cobre de ninguém nem renuncie à sua cidadania. Nós merecemos e temos a sorte de poder escolher quem a gente quer. É pela mão do povo que se luta permanentemente pela democracia", disse.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

  • Google Discover Icon
postado em 28/07/2026 03:55
x