
O governo federal apresentou, nesta quarta-feira (29/7), um panorama dos impactos esperados da chegada do El Niño no Brasil e alertou que os efeitos do fenômeno climático deverão variar conforme a região do país.
Durante reunião ministerial convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que há alta probabilidade de ocorrência de um evento de forte intensidade e detalhou os principais riscos monitorados pelo governo.
Segundo a ministra, os estudos elaborados por especialistas e pelos ministérios apontam cenários distintos para cada região. No Norte e no Nordeste, a principal preocupação é com a seca. No Centro-Oeste e no Sudeste, a expectativa é de atraso das chuvas. No Sul, a previsão é de precipitações acima da média.
"Em cada região do Brasil, os impactos são diferentes, os efeitos do El Niño são diferentes. Em azul (na imagem acima), que é o Norte e o Nordeste, a tendência é seca. No amarelo, que é o Centro-Oeste e o Sudeste, é atraso das chuvas. E no Sul, é chuvas acima da média", explicou.
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No Norte, Miriam Belchior afirmou que os impactos previstos incluem redução do acesso à água para consumo e produção, piora da navegabilidade dos rios devido à diminuição da vazão, aumento do risco de incêndios, possibilidade de isolamento de comunidades e dificuldades no abastecimento de água, combustíveis e alimentos. Segundo ela, esses efeitos devem ocorrer entre agosto e dezembro.
Para o Nordeste, a ministra destacou que a maior preocupação está nas áreas agrícolas produtivas, especialmente na região do Matopiba, que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde os efeitos da estiagem poderão afetar a produção.
No Sudeste, o governo prevê maior risco de incêndios florestais e ocorrência de grandes ondas de calor entre setembro e dezembro. Já no Centro-Oeste, os principais impactos esperados são incêndios e prejuízos às áreas agrícolas produtivas, com maior intensidade entre julho e outubro.
No Sul, por outro lado, o cenário é de excesso de chuvas, elevando o risco de enchentes e deslizamentos de terra entre julho e dezembro.
A ministra afirmou que esses cenários são resultado do trabalho realizado pelo governo em conjunto com especialistas e diferentes ministérios para identificar os principais riscos associados ao fenômeno. "Esses são os impactos com os quais a gente tem que lidar no próximo período", disse.
Alta probabilidade de um "Super El Niño"
Miriam Belchior também afirmou que o governo trabalha com elevada probabilidade de confirmação do fenômeno. "É inequívoco que haverá um El Niño. É bastante provável, 85%, que ele seja muito forte, 90 e tanto que ele seja forte. Então vai acontecer, e essas são as principais preocupações que a gente tem que ter para enfrentá-lo", afirmou.
Segundo a ministra, desde o início do atual governo, vêm sendo implementadas políticas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas e ao fortalecimento da capacidade de resposta a eventos extremos. Ela destacou que o trabalho inclui investimentos estruturantes e medidas emergenciais para reduzir os impactos do El Niño.
Entre as ações citadas está o reforço das equipes federais de combate a incêndios. De acordo com Miriam Belchior, o efetivo de brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi ampliado para mais de 4,4 mil profissionais treinados e equipados para atuar durante o período de maior risco de queimadas.
"Hoje, a gente tem mais de 4.400 brigadistas do Ibama e do ICMBio, preparados, treinados para fazer esse combate com equipamentos e tudo mais", afirmou.

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