
O governo do Uruguai descartou qualquer possibilidade de atuar como mediador na crise diplomática entre Brasil e Argentina, desencadeada pelas declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Estamos monitorando tudo bem de perto. Obviamente, não vamos poder intermediar nada, porque isso é um diálogo entre brasileiros e argentinos", afirmou o chanceler uruguaio, Mario Lubetkin. A declaração foi dada nessa segunda-feira (3/7), após um evento com candidatos latino-americanos à Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A manifestação ocorre em meio à avaliação de diplomatas da região de que o desgaste entre Brasília e Buenos Aires atingiu um patamar que dificulta qualquer iniciativa externa de aproximação. A leitura, nas hostes itamaratianas, é de que o governo brasileiro mantém abertos os canais diplomáticos com a Argentina, mas considera improvável uma normalização da relação enquanto Milei mantiver o tom adotado contra Lula.
Auxiliares do presidente brasileiro afirmam, reservadamente, que a orientação continua sendo evitar responder publicamente a cada declaração do mandatário argentino. A estratégia, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, é preservar a relação institucional entre os dois países e impedir que novos episódios contaminem temas de interesse comum, especialmente no âmbito do Mercosul.
Cautela no Mercosul
Diplomatas ouvidos pelo Correio avaliam que a posição do Uruguai evidencia uma cautela compartilhada entre os integrantes do bloco. A percepção é de que uma tentativa de mediação poderia ser interpretada por um dos lados como interferência em um impasse de natureza política, reduzindo as chances de sucesso.
Apesar da tensão entre os chefes de Estado, as equipes técnicas dos dois governos seguem mantendo interlocução em temas comerciais e regionais. A avaliação nas coxias do Ministério das Relações Exteriores é de que preservar esses canais será fundamental para evitar que o embate político produza impactos mais amplos na integração do Mercosul.
Nas coxias da diplomacia brasileira, há uma percepção de que Milei tem usado os embates com Lula como instrumento de política doméstica, razão pela qual o Planalto decidiu reduzir ao mínimo as respostas públicas. Isso dá contexto ao leitor sem parecer opinativo.

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