CRISE

O que pesará para Lula decidir se ex-chefe de gabinete continua na campanha

Nas hostes palacianas, a leitura é de que Lula evita tomar qualquer decisão antes de conhecer os elementos que serão apresentados à investigação

Interlocutores do governo afirmam que Marcola tem relação próxima com Lula, mas, ainda assim, terá que explicar o repasse -  (crédito:   Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Interlocutores do governo afirmam que Marcola tem relação próxima com Lula, mas, ainda assim, terá que explicar o repasse - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

O repasse financeiro identificado pela Polícia Federal (PF) ao ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, abriu uma nova frente de desgaste nas hostes palacianas e colocou em xeque a permanência de um dos auxiliares mais próximos do presidente na campanha eleitoral.

A PF identificou, nesta terça-feira (4/8), uma transferência feita pela empresária Roberta Luchsinger para Marcola. O valor da operação não foi divulgado. O ex-chefe de gabinete sustenta que o dinheiro se refere a um empréstimo pessoal e nega qualquer irregularidade. Luchsinger é investigada por suposta participação no esquema de fraudes no INSS.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Nas hostes palacianas, porém, a avaliação é de que a decisão sobre o futuro de Marcola na campanha dependerá menos do desgaste político imediato e mais da capacidade de afastar suspeitas de envolvimento direto no caso.

Interlocutores do governo afirmam que pesa a favor de Marcola a relação de confiança construída ao longo de anos com Lula. Considerado um dos auxiliares mais próximos do presidente, ele mantém uma amizade antiga com o petista, fator que, por si só, dificulta uma decisão precipitada.

Investigação

Ainda assim, o cenário pode mudar rapidamente. A expectativa é de que Marcola apresente aos investigadores documentos e comprovantes que sustentem sua versão de que a transferência foi apenas um empréstimo entre particulares.

Caso consiga demonstrar a origem e a natureza da operação, a tendência é que o episódio seja tratado como um assunto de esfera pessoal, reduzindo a pressão por seu afastamento.

Por outro lado, se a documentação não for suficiente para esclarecer a movimentação financeira ou se surgirem indícios de vínculo entre o repasse e o escândalo investigado pela Polícia Federal, a permanência de Marcola na campanha ficará significativamente mais difícil.

Nas coxias do Planalto, a leitura é de que Lula evita tomar qualquer decisão antes de conhecer os elementos que serão apresentados à investigação, mas acompanha o caso de perto diante do potencial desgaste político de mais um episódio envolvendo um integrante de sua antiga equipe mais próxima.   

  • Google Discover Icon
AH
postado em 04/08/2026 17:12 / atualizado em 04/08/2026 17:21
x