
O governo brasileiro projeta um enfraquecimento das relações com a Argentina após a opção do Ministério das Relações Exteriores por trocar o embixador Júlio Bitelli pela representação de um encarregado de negócios no país portenho.
Segundo intelocutores do Planalto, o entendimento brasileiro de diminuir a representação diplomática no país sul-americano pode fazer com que o governo do presidente Javier Milei adote a mesma postura em relação ao Brasil.
A avaliação, no Planalto, ocorre mesmo após o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, ter afirmado, nesta quarta-feira (5/8), que não tomará medidas diplomáticas em resposta ao rebaixamento das relações diplomáticas com o Brasil.
Atualmente, a Casa Rosada é representada por meio do embaixador Daniel Raimondi, na Embaixada da Argentina em Brasília. Embora fontes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) projete a saída de Raimondi, o representante argentino não será declarado como Persona non grata.
Conflito entre Lula e Milei
O cenário tanto da possível retirada do embaixador argentino no Brasil como da diminuição da relevância diplomática brasileira em Buenos Aires é de conflitos narrativos iniciados pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
Milei, durante participação da convenção partidária do presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, no fim de julho, chamou Lula de "ladrão". Essa ação foi repetida pelo líder portenho outras dois vezes.
A reação inicial do Itamaraty foi convocar tanto o embaixador brasileiro na Argentina Júlio Bitelli quanto o embaixador argentino em brasília, Daniel Raimondi, para dar explicações.
Já a reação de Lula foi de evitar falar sobre o assunto, ao dizer que a resposta a Milei seria feita a partir de uma relação entre chefe de estado.
Após a escalada de críticas de Milei ao líder brasileiro, porém, o Planalto resolveu diminuir a relação diplomática com a Argentina a partir da troca do embaixador por um encarregado de negócios.

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