Investigação

Ancine instaura processo contra produtora de cinebiografia de Bolsonaro

Agência apura supostas irregularidades na produção do filme "Dark Horse", que teria realizado gravações no Brasil sem cumprir exigências previstas na legislação do setor audiovisual

O longa é produzido em inglês e tem direção do cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh -  (crédito: Divulgação/Instagram)
O longa é produzido em inglês e tem direção do cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh - (crédito: Divulgação/Instagram)

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) instaurou um processo administrativo para investigar a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração foi aberta após o órgão identificar indícios de que parte das filmagens ocorreu em território brasileiro sem a comunicação prévia exigida pela legislação para produções estrangeiras.

De acordo com as normas que regulamentam o setor audiovisual, obras classificadas como estrangeiras devem informar previamente à Ancine sobre a realização de gravações no país. Entre os documentos exigidos estão os contratos firmados entre a produtora internacional e empresas brasileiras, além de um plano detalhando as atividades previstas durante a produção no Brasil.

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Segundo informações disponíveis pela própria empresa, a Go Up Entertainment tem sede na Califórnia, nos Estados Unidos. O longa é produzido em inglês e tem direção do cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh, que também assina o roteiro ao lado de Mark Nowrasteh e do deputado federal Mário Frias (PL-SP).

A Ancine informou que tentou contato com a produtora em duas oportunidades para solicitar esclarecimentos sobre o caso, mas não obteve retorno. Com a abertura formal do processo administrativo, a empresa poderá apresentar defesa antes da conclusão da análise.

Caso a irregularidade seja confirmada, a produtora poderá ser penalizada com multa administrativa que varia entre R$ 2 mil e R$ 100 mil, conforme previsto na regulamentação do setor audiovisual. A decisão dependerá da análise da documentação e das justificativas eventualmente apresentadas pela empresa.

O filme Dark Horse já esteve no centro de controvérsias neste ano. A produção ganhou repercussão após a divulgação de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, relacionadas ao financiamento da obra.

No mesmo período, Karina Gama Ferreira, proprietária da Go Up Entertainment, passou a ser investigada pela Polícia Civil de São Paulo em um inquérito que apura suspeitas de fraude em licitações ligadas ao programa WiFi Livre SP, da Prefeitura de São Paulo.

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postado em 06/08/2026 15:23 / atualizado em 06/08/2026 15:24
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