Eleições 2026

PT, PV e PCdoB acionam TSE contra plataforma Direita Já, do PL

O objetivo dos partidos é que a corte eleitoral investigue a plataforma do partido do presidenciável Flávio Bolsonaro por suspeita de uso irregular do Fundo Partidário

Federação Brasil da Esperança alega que o modelo adotado pelo PL pode configurar uma forma indireta de impulsionamento de conteúdo -  (crédito: Luiz Roberto/TSE)
Federação Brasil da Esperança alega que o modelo adotado pelo PL pode configurar uma forma indireta de impulsionamento de conteúdo - (crédito: Luiz Roberto/TSE)

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a abertura de investigação sobre a plataforma Direita Já, criada pelo Partido Liberal (PL). Os partidos alegam que o site estaria sendo utilizado para disseminar conteúdos considerados desinformativos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT, e questionam se recursos do Fundo Partidário foram empregados de forma irregular para financiar a estrutura da plataforma.

Na ação, a Federação sustenta que o Direita Já disponibiliza materiais prontos para publicação por influenciadores e usuários cadastrados, incluindo vídeos, imagens e textos voltados à propaganda eleitoral negativa. Segundo a representação, a plataforma oferece até 50 publicações por semana e mantém um Programa Creators, descrito como uma parceria com mais de 200 influenciadores, capaz de gerar cerca de 50 milhões de visualizações.

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Os partidos afirmam que o modelo adotado pelo PL pode configurar uma forma indireta de impulsionamento de conteúdo, prática que, segundo a legislação eleitoral, deve obedecer a regras de transparência e não pode ocorrer por meio de disparos em massa. A representação também levanta a hipótese de que a replicação dos materiais, apresentada como espontânea, possa encobrir uma distribuição coordenada de conteúdos financiada, ainda que indiretamente, com recursos públicos.

Outro ponto destacado é que parte significativa das publicações disponibilizadas pela plataforma reproduziria conteúdos já analisados pelo TSE nas eleições de 2022. Entre eles, estariam vídeos produzidos com inteligência artificial e deep fakes que associam Lula ao PCC, ao Comando Vermelho e ao narcotráfico, classificadas pela Justiça Eleitoral, em decisões anteriores, como informações notoriamente inverídicas ou gravemente descontextualizadas.

A representação também questiona a estrutura operacional do Direita Já. Embora a plataforma se apresente como uma iniciativa apoiada por voluntários, os partidos afirmam que o volume e o padrão profissional das peças produzidas indicariam a existência de uma estrutura remunerada, com custos que, segundo alegam, não foram divulgados. O documento cita ainda que a agência Magic Beans aparece como desenvolvedora do site, embora o PL e a plataforma não constem entre os clientes listados pela empresa.

Além disso, a ação menciona que o domínio do site foi registrado internacionalmente por meio de um serviço de privacidade e aponta que a página oficial do PL no Facebook realizou 14 anúncios pagos relacionados ao Direita Já, totalizando investimento de R$ 39.897 na plataforma da Meta.

Na representação, a Federação Brasil da Esperança solicita que o TSE determine ao PL a apresentação de contratos, notas fiscais, recibos e comprovantes de pagamento referentes ao desenvolvimento da plataforma e à produção dos conteúdos. Também pede que sejam informadas a origem dos recursos utilizados, a identificação dos influenciadores participantes do Programa Creators, dos colaboradores responsáveis pela produção do material e dos grupos de WhatsApp, Telegram, Discord, e-mail ou outros canais usados para distribuir os conteúdos.

Os partidos também requerem a suspensão imediata, tanto na plataforma quanto nos perfis dos participantes, de materiais que reproduzam conteúdos já reconhecidos pelo TSE como desinformação ou fatos gravemente descontextualizados que possam comprometer a integridade do processo eleitoral. A representação ainda questiona se recursos do Fundo Partidário, cuja finalidade legal é financiar atividades partidárias, estariam sendo utilizados para manter uma estrutura voltada à produção e distribuição sistemática de propaganda negativa contra adversários políticos.

 

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postado em 07/08/2026 12:04 / atualizado em 07/08/2026 12:05
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