
Nas últimas semanas, cresceram as tentativas de associar escândalos envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís da Silva, ao governo federal. Segundo interlocutores do chefe do Executivo, o impacto sobre a campanha do petista, até o momento, é mínimo.
Um auxiliar da administração Lula sinalizou ao Correio que acusações de supostos crimes envolvendo Fábio Luís, que ficou conhecido como Lulinha pela grande mídia, costumam ganhar força à medida em que se aproxima o período eleitoral.
Na avaliação desse integrante da gestão, trata-se de uma estratégia recorrente de adversários que, diante da falta de engajamento e de resultados capazes de mobilizar o eleitorado, passam a apostar na associação de episódios envolvendo familiares do presidente à imagem do governo.
A leitura no Palácio do Planalto é de que a estratégia também se insere em um movimento mais amplo de antecipação da disputa de 2026. O governo tem acompanhado com atenção a tentativa de transformar episódios envolvendo aliados ou pessoas próximas ao presidente em crises políticas capazes de contaminar a avaliação da administração federal. A aposta, neste momento, é que a população faça a distinção entre as investigações e as ações do Executivo.
Interlocutores do governo Lula também avaliam que o cenário eleitoral ainda está em formação e que, por isso, eventuais desgastes precisam ser observados com cautela. A avaliação é de que a oposição deve intensificar os ataques nos próximos meses, especialmente em temas com potencial de repercussão nas redes sociais. Nas hostes palacianas, a orientação é evitar que o governo seja arrastado para uma agenda definida pelos adversários e concentrar o discurso nos resultados da gestão e nas ações que devem marcar a campanha deste ano.
Terceiro inquérito
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou, na semana passada, a Polícia Federal a abrir um terceiro inquérito sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, e aliados dele. Além disso, Dino determinou a abertura de uma quarta investigação relacionada ao caso, mas para apurar o vazamento de informações sigilosas dos inquéritos.
O ministro foi sorteado relator depois que a PF apresentou requerimentos sem indicar uma conexão direta dos casos com o ministro André Mendonça, relator da apuração sobre desvios no INSS que colheu as primeiras provas envolvendo Lulinha
Não há detalhes sobre o objeto da investigação dos vazamentos, que tramitará sob sigilo. A defesa do filho mais velho do presidente Lula havia pedido ao Ministério da Justiça e à corregedoria da PF a apuração sobre o suposto vazamento de conversas dele.
Mendonça autorizou dois inquéritos contra Lulinha. O primeiro trata de suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde, enquanto o segundo mira negócios envolvendo a Dataprev. O terceiro tem o objetivo de apurar ações de aliados em outros órgãos do governo federal. (com informações da Agência Estado)

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