Investigação

Moraes vota para tornar Rodrigo Bacellar réu no Supremo

Ministro aponta indícios de crimes em denúncia da PGR sobre suposto vazamento de informações da Operação Zargun e obstrução de investigações contra organização ligadqa ao Comando Vermelho

O deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) -  (crédito: Thiago Lontra / Alerj)
O deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) - (crédito: Thiago Lontra / Alerj)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (14/8) pelo recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Com o voto, os dois podem se tornar réus em uma ação que investiga suposto vazamento de informações sigilosas e obstrução de investigações relacionadas a organizações criminosas no Rio de Janeiro.

Moraes também se manifestou pelo recebimento da denúncia contra o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, a esposa de TH Joias, Jéssica de Oliveira Lima, e o assessor parlamentar Thárcio Nascimento Salgado. Segundo o ministro, a acusação apresentada pela PGR reúne elementos mínimos que justificam a abertura de uma ação penal. A análise ocorre no plenário virtual da Primeira Turma do STF, e os demais ministros do colegiado ainda precisam apresentar seus votos.

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A investigação tem como foco a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 para desarticular uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico internacional de armas e drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PGR, o grupo seria ligado ao Comando Vermelho. TH Joias era apontado como um dos principais alvos da ofensiva policial e, conforme a denúncia, teria recebido informações antecipadas sobre as medidas que seriam cumpridas.

A Procuradoria sustenta que o desembargador Macário Neto teria repassado a Bacellar, com quem mantinha proximidade, informações sigilosas sobre as medidas cautelares autorizadas no âmbito da operação. De acordo com a acusação, os dois teriam se encontrado pessoalmente em 2 de setembro de 2025, um dia antes da deflagração da Zargun. A partir desse contato, Bacellar teria sido informado sobre a ação policial e, posteriormente, comunicado TH Joias.

Entre os elementos citados pela PGR estão circunstâncias consideradas suspeitas durante o cumprimento das buscas. No gabinete de TH Joias na Alerj, investigadores não teriam localizado computadores ou mídias digitais. O ex-deputado também teria deixado a própria residência na véspera da operação. A denúncia afirma ainda que Jéssica de Oliveira teria ajudado na retirada de objetos do imóvel e que o casal teria transportado materiais que poderiam interessar à investigação.

Após ser considerado foragido, TH Joias foi localizado no apartamento de seu assessor parlamentar, Thárcio Nascimento. Segundo a PGR, o assessor teria colaborado para escondê-lo e adotado medidas destinadas a eliminar evidências digitais. O julgamento da denúncia ocorre em plenário virtual, formato no qual os ministros registram os votos ao longo de um período determinado. Na Primeira Turma, além de Moraes, participam da análise Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.


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postado em 14/08/2026 14:38 / atualizado em 14/08/2026 14:40
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