ENTREVISTA

Lula diz estar preparado para defender Brasil contra interferências

Presidente afirma que quer manter uma relação de "paz e amor" com os EUA, mas diz que país não abrirá mão da soberania diante de pressões externas

"Estou preparado para debater a defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra", disse Lula - (crédito: Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14/8) que está preparado para defender os interesses do Brasil diante de eventuais pressões externas e disse que não pretende entrar em conflito com os Estados Unidos. As declarações foram dadas em entrevista a três comunicadoras dos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs.

Ao comentar a relação com o governo norte-americano, Lula afirmou que o Brasil busca manter uma relação diplomática com os Estados Unidos, mas não abrirá mão da defesa da soberania nacional.

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“Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos. Não quero nenhuma briga com os Estados Unidos”, afirmou. Segundo o presidente, o Brasil também pretende manter relações amistosas com outros países e citou China, Rússia, França, Inglaterra, Uruguai e Bolívia.

Lula disse ainda que considera importante estabelecer um diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, os dois já tiveram uma reunião e o norte-americano seria, entre os interlocutores do governo dos EUA, quem “conversa mais seriamente” com ele.

“Eu quero conversar, porque o Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos. São 201 anos de relação diplomática. Nós não queremos brigar com os Estados Unidos”, declarou.

O presidente também criticou o que classificou como construção de “inverdades contra o Brasil” e afirmou que o governo decidiu reagir por meio da Lei da Reciprocidade. “Nós, ontem (13), entramos com a lei da reciprocidade para a gente mostrar que a gente também não é, sabe, pouca coisa. Nós nos respeitamos. O que eles querem, a gente quer também”, afirmou.

“Estou muito tranquilo”

Ao falar sobre possíveis ameaças ao país e sobre as tentativas de golpe, Lula afirmou estar tranquilo e preparado para defender o Brasil. “Agora, já que não deu certo o golpe, vocês podem ficar certos que eu estou muito tranquilo, sabendo o que pode acontecer, e estou preparado para debater a defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra”, disse.

Em outro momento da entrevista, o presidente afirmou que o Brasil não abrirá mão de sua soberania e fez críticas a adversários que, segundo ele, estariam falando contra o país.

“Se vier dar palpite da eleição aqui nesse país, vai perder, porque esse país não abre mão, apesar dos negacionistas, apesar dos traidores da pátria, apesar do meu adversário, teu irmão lá, falando mal do Brasil, falando inverdades contra o Brasil”, afirmou.

Lula disse ainda que não sabe se haverá interferência externa nas eleições brasileiras e afirmou que pretende discutir o tema em uma eventual conversa com Trump. Segundo o presidente, ele já tentou telefonar para o norte-americano, mas ainda aguarda a definição de uma data para a conversa.

Segurança pública

Durante a entrevista, Lula também foi questionado sobre a criação de um Ministério da Segurança Pública, promessa que não foi concretizada durante seu governo, e sobre o avanço das facções criminosas e do crime organizado.

O presidente defendeu que prefeitos, governadores e o governo federal assumam responsabilidade pelas atribuições que estão sob sua competência. Segundo ele, há uma tendência de atribuir resultados positivos à própria gestão e transferir a responsabilidade por problemas para outras esferas de governo.

“Quando você governa, você tem que assumir responsabilidade pelas coisas que você pode fazer e pelas coisas que você não pode fazer”, afirmou.

Lula também disse que governadores poderiam reconhecer que têm responsabilidade sobre parte das questões de segurança pública. O tema, segundo a pergunta feita durante a entrevista, deve ocupar espaço central nas eleições estaduais, diante da preocupação com violência, facções e crime organizado.

Ao longo da entrevista, Lula voltou a defender uma postura de diálogo nas relações internacionais, mas ressaltou que o governo brasileiro pretende responder a medidas que considere prejudiciais aos interesses nacionais. “Paz e amor”, resumiu o presidente ao definir o tipo de relação que deseja manter com outros países.

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postado em 14/08/2026 14:07
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