
A primeira-dama Janja Lula da Silva reagiu às declarações de Renan Santos (Missão) durante o primeiro debate presidencial das eleições de 2026, realizado pela Band no domingo (23/8) ). Em nota encaminhada à emissora, ontem (24), ela afirmou que foi alvo de ataques pessoais e classificou as declarações como uma manifestação de misoginia. Renan contestou a avaliação e disse que fez críticas políticas a uma figura pública. O episódio também foi levado ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
Durante o debate, Renan criticou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e mencionou Janja ao dizer que o petista teria de ficar com “aquela Janja” e que encontraria “companhias melhores” se tivesse comparecido ao confronto. Em outro momento, afirmou que Lula estaria “ou bêbado ou com a Janja” e acrescentou que seria melhor estar bêbado. Lula, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Romeu Zema (Novo-MG) não participaram do debate.
Na manifestação, Janja ressaltou que não é candidata e não estava no local para responder às declarações. Segundo ela, as falas de Rena sobre sua relação com Lula não podem ser tratadas como críticas políticas, já que ele teria usado uma mulher para atingir um adversário eleitoral. A primeira-dama também afirmou que episódios desse tipo não devem ser normalizados e defendeu que debates sejam espaços para apresentação de propostas e confronto de ideias.
"Situações como essa não podem ser normalizadas. O candidato atacou de forma pessoal e depreciativa uma mulher que não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão. […] Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de pena está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher como ferramenta misógina para atacar um adversário político."
Janja também mencionou uma declaração atribuída a Renan em 2017, relacionada ao estupro de uma amiga, e afirmou que o episódio mais recente faria parte de um conjunto de manifestações de desrespeito às mulheres.
“Piada infeliz”
Renan já foi questionado sobre o vídeo durante a campanha e, segundo relatos publicados sobre o episódio, classificou a declaração como uma brincadeira e uma “piada infeliz”, além de dizer que se arrepende.
O presidenciável respondeu à nota de Janja e negou ter cometido misoginia. O candidato afirmou que dizer que a primeira-dama não seria uma “boa companhia” não caracteriza, em sua avaliação, uma manifestação de ódio ou discriminação contra mulheres. Também argumentou que classificar críticas políticas dirigidas a mulheres como misoginia poderia restringir o debate público. A resposta foi divulgada em vídeo nas redes sociais, após a manifestação da primeira-dama.
"Fazer uma crítica política a uma figura pública ser misoginia significa criminalizar todo o debate político que envolva mulheres."
Representação no Ministério Público
Além da troca pública entre os dois, as declarações feitas durante o debate foram encaminhadas ao MPE. O candidato ao governo da Paraíba Olímpio Rocha (PSol) apresentou uma representação pedindo a apuração do episódio. O documento menciona possível injúria eleitoral e eventual violação ao artigo 243 do Código Eleitoral, que trata de propaganda eleitoral que deprecie a condição da mulher. A manifestação ainda precisa ser analisada pelo Ministério Público, que poderá decidir se há elementos para a adoção de providências.
O caso ocorre em um momento em que o Congresso discute justamente a definição jurídica de condutas relacionadas à misoginia. O PL 896/2023, aprovado pelo Senado e encaminhado à Câmara, propõe alterações na Lei nº 7.716/1989 e no Código Penal para estabelecer crimes praticados em razão de misoginia. Na Câmara, a proposta recebeu regime de urgência em 1º de julho, por 293 votos a 158, com três abstenções.
Janja e Fachin
A reação da primeira-dama ocorreu no mesmo dia em que ela se reuniu com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin. O encontro, realizado na segunda-feira (24), teve como pauta oficial o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência contra mulheres e meninas.

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