Relação bilateral

Lula manifesta decepção com a ONU em telefonema a Putin, segundo Planalto

Os presidentes conversaram durante cerca de uma hora na manhã desta terça-feira (4/8) sobre conflitos internacionais, comércio entre os dois países e o Brics

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na manhã desta terça-feira (4/8). O telefonema ocorre no mesmo dia em que o assessor do chefe de Estado russo, Nikolay Patrushev, visita o Brasil, para tratar sobre iniciativas para a ampliação do comércio bilateral entre os dois países, além do intercâmbio de inovações em ciência e tecnologia.

No telefonema entre Lula e Putin, o presidente brasileiro disse estar decepcionado com o que ele considera como uma incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas (UNSC, na sigla em inglês) em mediar conflitos e buscar uma solução para a paz. O chefe do Executivo já manifestou em outras oportunidades o descontentamento com a atual composição da ONU.

“Nesse contexto, o presidente Lula ressaltou os aspectos humanitários dos conflitos, lamentando a perda de vidas humanas, inclusive civis”, destacou, em nota, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo federal. Segundo o Planalto, o presidente brasileiro também teria enfatizado o apoio a Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para assumir o cargo de secretária-geral das Nações Unidas.

Além disso, os dois líderes discutiram sobre o comércio bilateral e o fortalecimento dos Brics, como uma saída para também expandir o multilateralismo em meio a um cenário de crise desse modelo. O Brasil ainda é altamente dependente dos fertilizantes russos, enquanto o país europeu compra, principalmente, produtos do agronegócio brasileiro, como carne, café e açúcar, em um volume bem inferior ao inverso.

De acordo com a Secom, os chefes de Estado reforçaram o desejo de intensificar a cooperação em temas como energia, ciência, tecnologia e na área naval. Além disso, o presidente brasileiro mencionou a intenção do país de aumentar as exportações para o país euro-asiático, para atingir um maior equilíbrio no intercâmbio comercial.

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