Os partidos do Centrão disseram "não" a embarcarem na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da Republica. A federação União Progressista — que reúne Progressistas e União Brasil —, o Republicanos e o Podemos anunciaram ontem a neutralidade, apesar dos esforços do PL para ter uma mulher de uma dessas legendas como vice. A preferência era a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que disse aceitar, mas a executiva barrou-lhe a pretensão. Estiveram cotadas também a economista Daniella Marques, filiada ao Republicanos, e a deputada Renata Abreu (SP), presidente do Podemos.
Apesar do isolamento, Flávio pretende anunciar hoje o vice. Mas não adiantou quem será e se escolherá uma mulher para compor a chapa. Nos bastidores do PL, era certo que algumas deputadas federais da legenda abririam mão de disputar a reeleição para embarcar na disputa ao lado do senador.
Essa ideia encontrava a resistência do presidente Valdemar Costa Neto, que trabalha para eleger em outubro uma bancada no Congresso maior do que a atual. Porém, com os "nãos" das legendas do Centrão, aumentaram as chances de Flávio ser mais um candidato de direita a disputar o Palácio do Planalto com chapa "puro-sangue".
A sequência de negativas a Flávio começou com o União Brasil confirmando a neutralidade, decisão tomada sobretudo por estar federado ao PP — que já decidira pela equidistância rem relação ao pré-candidato do PL. "A Federação União Progressista libera seus candidatos e candidatas para apoiarem, em seus estados, os presidenciáveis que melhor se ajustem às articulações regionais e locais", afirmou, por meio de nota, o presidente do partido, Antônio Rueda, após a convenção nacional.
Sem coligação
No caso do Republicanos, a neutralidade foi anunciada pelo presidente do partido, deputado Marcos Pereira (SP), depois da convenção nacional, em Brasília. Ele foi categórico. "Não havendo coligação, não haverá candidatura a vice. Ela (Daniella Marques) pode continuar filiada, pode ser uma militante e contribuir. É uma pessoa extremamente competente na área econômica e administrativa. Só que não será desta vez que ela será candidata a vice", anunciou. A economista se filiou à legenda da Igreja Universal do Reino de Deus, comandada pelo bispo Edir Macedo, em abril e não é vista pelos chefes religiososos e demais caciques como um quadro orgânico do Republicanos.
Ao anunciar a neutralidade, o partido não se compromete exclusivamente com um candidato à Presidência. Segundo Pereira, a decisão reflete o desejo de 17 diretórios estaduais contra nove que gostariam de apoiar Flávio. Questionado sobre a possibilidade de mudança de posição em um eventual segundo turno, o presidente do Republicanos garantiu que as coligações são "para a eleição inteira".
Em relação ao Podemos, Renata Abreu anunciou a nautralidade ao públicar um vídeo. "Respeitamos todas as candidaturas. E respeitamos também a diversidade de opiniões que existe dentro do nosso partido. Preservar essa unidade sem abrir mão dos nossos princípios é parte da nossa identidade", diz trecho do pronunciamento da presidente do partido.
Apesar das negativas, em evento promovido pelo site O Antagonista e pela G4 Business, também ontem, Flávio afirmou que buscará "até o último minuto" o apoio nacional do Centrão para também garantir maior tempo de televisão. "Os caciques políticos estão com preocupações, mas os principais quadros desses partidos estão com a gente", acredita, citando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), os senadores Cleitinho Azevedo (Republicanos), Damares Alves (Republicanos) e Tereza Cristina (PP), além dos deputados federais Guilherme Derrite (PP) e Simone Marquetto (PP). "Temos 22 palanques fechados", calcula.
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