
Interlocutores do governo brasileiro afirmam que a Casa Branca tenta interferir em uma decisão que é prerrogativa do Brasil - (crédito: Roberto Schmidt/ AFP)
O Palácio do Planalto e o Itamaraty ainda avaliam qual será o tom da resposta do governo brasileiro à decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington.
Nas hostes diplomáticas, porém, a leitura já está consolidada: ao condicionar uma eventual revisão da medida ao avanço do agrément do embaixador indicado por Donald Trump para Brasília, Daniel Perez, a Casa Branca rompeu com a lógica tradicional da diplomacia e tentou interferir em um procedimento considerado prerrogativa exclusiva do Estado brasileiro.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto e do Itamaraty, o agrément é, por definição, um ato soberano do país que receberá o diplomata. Cabe ao Estado anfitrião analisar reservadamente o currículo, o histórico funcional e eventuais informações sobre o indicado antes de decidir se aceita ou não a nomeação.
Não há prazo previsto para essa avaliação nem expectativa de que ela seja condicionada a fatos externos.
Na avaliação de auxiliares de Lula, foi justamente essa lógica que a Casa Branca rompeu ao anunciar publicamente o nome de Perez, submetê-lo às etapas políticas internas nos Estados Unidos e, posteriormente, passar a pressionar Brasília pela conclusão do processo brasileiro.
O episódio ganhou novo contorno quando o Departamento de Estado informou que a revogação do visto da embaixadora do Brasil poderia ser revista caso o governo brasileiro concedesse o agrément ao indicado de Trump.
Influência indevida
Nas coxias, integrantes do governo classificam a movimentação como uma tentativa de inverter o rito diplomático tradicional. Em vez de aguardar a conclusão da análise conduzida pelo Itamaraty e pela Presidência da República, Washington passou a utilizar uma medida contra a representação brasileira como forma de influenciar uma decisão que compete exclusivamente ao governo brasileiro.
Interlocutores do Planalto ressaltam que o Brasil não rejeitou o indicado nem interrompeu a análise. O processo, afirmam, segue o trâmite habitual, com checagem de currículo (background check), consultas internas e avaliação política antes de eventual manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A pressão pública, avaliam, não altera esse procedimento e tende apenas a ampliar o desgaste diplomático entre os dois países.
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Por Armando Holanda
postado em 04/08/2026 19:26

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