Tensão diplomática

Amorim chama de 'bizarra' indicação de embaixador dos EUA ao Brasil às pressas

Assessor Especial da Presidência relembrou que decisão repentina da Casa Branca ocorre às vésperas das eleições. "Ficaram sem embaixador por mais de 1 ano e meio. O Brasil parecia que não tinha importância", afirmou

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, classificou como “bizarra” a condução dada pelos Estados Unidos ao andamento da indicação de Daniel Perez para a embaixada no Brasil antes da concessão do aval diplomático (agrément).

Ele avaliou que o comportamento é totalmente contrário às regras internacionais. “O que aconteceu bizarramente neste caso é que os EUA (...) deram publicidade antes da concessão de agrément e, talvez o mais grave, seguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro”, afirmou.

A fala ocorreu durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (12/8) na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados. Na ocasião, Amorim relembrou que os Estados Unidos ficaram sem embaixador no Brasil por mais de 1 ano e meio e que, com o aproximar das eleições brasileiras, preencher a vaga passou a ter importância.

“Antes, o Brasil parecia que não tinha importância. De repente, na proximidade das eleições, às pressas, sem nosso consentimento, quiseram acreditar um outro embaixador. (...) acho que há esse absurdo no tratamento técnico da decisão que está sendo totalmente omitido”, disse.

Ele também apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não recusou o agrément, mas que foi uma decisão do governo não aceitar pedidos deste tipo até o período das eleições.

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