O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (12/8) que ofensas de caráter pessoal ao presidente de uma nação equivalem a “cuspir na bandeira”. A fala ocorreu durante audiência pública realizada na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Credn) da Câmara dos Deputados.
“Acho que uma coisa é falar politicamente sobre o brasileiro, falar que ele é fascista, socialista, comunista. Agora, quando passa por uma ofensa pessoal, de caráter, é como cuspir na bandeira. O presidente é chefe de Estado do Brasil, isso é uma coisa que não pode ser feita”, disse, sem citar diretamente o presidente da Argentina, Javier Milei.
As ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo argentino começaram na convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Na ocasião, Milei chamou o petista de ladrão, presidiário e lixo socialista. Desde então, os presidentes trocaram farpas e o Itamaraty decidiu manter o embaixador brasileiro fora de Buenos Aires enquanto o presidente argentino continuar com ataques ao Brasil.
"Redução de nível"
Amorim chamou o comportamento de uma “redução do nível” e afirmou esperar que “não dure muito”. Além disso, avaliou que a situação não se equipara à dos Estados Unidos (EUA), com a imposição de tarifas comerciais unilaterais.
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“Não pode ser equiparado com uma tarifa que é uma quebra do direito internacional. Todos nós queremos viver dentro de um sistema de leis, internamente no Brasil e no mundo”, afirmou.
O assessor ainda apontou que a ausência de leis para resolução de conflitos pode abrir caminho para a violência. “Nós estamos em um mundo muito perto de uma guerra mundial. Acho que temos que viver um sistema de leis, regras, diferente de sentimentos pessoais”, defendeu.
