CASO MASTER

As ameaças que Vorcaro diz ter sofrido para desistir de delação

No depoimento, Vorcaro também estabeleceu uma diferença entre a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a da Polícia Federal

Segundo Vorcaro, as intimidações relacionadas à tentativa de colaboração eram recorrentes -  (crédito: Reprodução)
Segundo Vorcaro, as intimidações relacionadas à tentativa de colaboração eram recorrentes - (crédito: Reprodução)

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter sido alvo de uma série de ameaças e intimidações depois de demonstrar interesse em fechar um acordo de colaboração premiada. Em depoimento, o dono do Banco Master relatou episódios ocorridos durante o período em que esteve sob custódia e disse que as pressões teriam cessado justamente quando foi “enterrada” a possibilidade de levar a delação adiante.

Segundo Vorcaro, as intimidações relacionadas à tentativa de colaboração eram recorrentes. Questionado sobre a frequência com que ocorriam, afirmou que eram “quase que diárias” enquanto estava nas dependências da Polícia Federal. “Ela encerra-se quando foi enterrado qualquer possibilidade de fazer uma colaboração”, declarou.

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Um dos episódios mais graves relatados pelo banqueiro teria ocorrido durante um transporte de helicóptero. Vorcaro disse que estava acompanhado por uma equipe especializada e fortemente armada quando começou a ouvir comentários que interpretou como ameaças para que permanecesse em silêncio.

“Foi fazer merda, agora vê se faz alguma coisa e fica quieto”, teria dito uma das pessoas que participavam do transporte, segundo o relato. Na sequência, Vorcaro afirma ter ouvido de outro integrante da equipe: “É mais fácil, de repente, jogar ele daqui”. O banqueiro disse que, naquele momento, temeu pela própria vida.

As intimidações, segundo ele, não teriam ficado restritas ao episódio. Em outro momento, Vorcaro relatou ter ouvido a expressão “vai querer falar do chefe?” durante um transporte. O banqueiro também atribuiu a pessoas envolvidas em sua custódia outro recado: “Quer mexer com os patrões, agora sua vida vai virar um inferno”.

Vorcaro não esclareceu, nesses trechos do depoimento, a quem as expressões “chefe” e “patrões” faziam referência. Ele sustentou, no entanto, que as pressões estavam relacionadas ao conteúdo que poderia apresentar em uma eventual colaboração.

O dono do Master afirmou ainda que, enquanto construía a proposta de delação, passou a receber, por meio de interlocutores e dos próprios advogados, recados para abandonar a iniciativa. Segundo ele, as mensagens diziam que deveria “ficar quieto” por ter família e advertiam: “Se você continuar nisso, vai piorar a situação”. Vorcaro associa a sequência dos acontecimentos às prisões posteriores de seu pai e de um primo e ao aumento da exposição de seus familiares.

No depoimento, Vorcaro também estabeleceu uma diferença entre a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a da Polícia Federal durante as tratativas. Segundo ele, integrantes da PGR se reuniram para ouvi-lo e demonstraram interesse em conhecer o conteúdo que pretendia apresentar, enquanto encontrou resistência na PF. “A diferença da postura, por exemplo, da PGR, que sentou diversas vezes, queria efetivamente trabalhar, escutar, foi totalmente diferente da postura da Polícia Federal”, afirmou.

O banqueiro disse que chegou a desistir da colaboração diante das consequências que atribui às tentativas de falar. “Todos os atos que eu fiz isso […] culminavam em situações que pioraram a minha situação, pioraram a situação da minha família e devastaram toda a minha família”, declarou. Vorcaro afirmou que ainda estaria disposto a apresentar o que sabe, mas condicionou isso à existência de um “ambiente seguro”.

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AH
postado em 03/09/2026 18:12 / atualizado em 03/09/2026 18:14
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