
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (4/9), durante entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), que mantém uma boa relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das dificuldades comerciais entre os dois países. Lula também defendeu que o Brasil busque novos mercados e rejeitou qualquer possibilidade de interferência estrangeira nas eleições.
“A minha relação com Trump é boa”, destacou. Ao comentar a relação comercial com os Estados Unidos, Lula disse que o Brasil não deve ficar dependente de um único parceiro. Segundo ele, o país precisa procurar compradores para seus produtos, em vez de se limitar a reagir às decisões de Washington. “Então todo o Estado Unido não quiser comprar da gente, até que eu vou ficar chorando. Vou ficar resmungando? Não! Eu vou procurar quem quer comprar”, declarou.
O presidente comparou a estratégia comercial à experiência que teve na infância, quando vendia produtos de porta em porta. “Quando eu chegava no portão, batia palma, a pessoa não queria, eu ficava chorando. Ah, compra, compra, compra, que eu sou pobre. Não! Eu ia no outro portão”, disse.
Lula também afirmou que o Brasil precisa ser respeitado e citou relações positivas com outros líderes internacionais. “Eu me dou muito bem com o Trump, me dou muito bem com o Fiji Ping, me dou muito bem com o Macron, me dou muito bem com o primeiro-ministro do Reino Unido, me dou muito bem com o Putin. Todos os espectros. Ou seja, eu não tenho adversário”, afirmou.
Telefonema com Trump
O presidente relatou que conversou por telefone com Trump há cerca de uma semana e meia. Segundo Lula, a ligação durou aproximadamente uma hora e meia e foi seguida por uma orientação do presidente americano para que o secretário de Comércio dos Estados Unidos atendesse ao ministro brasileiro da Indústria e Comércio.
“Temos uma hora e meia de conversa no telefone. Depois que terminou o telefonema, ele ligou pro secretário de comércio dele e mandou atender o nosso ministro da indústria de comércio”, comentou.
Lula também afirmou que não busca um conflito com os Estados Unidos, mas quer demonstrar que o Brasil pode defender seus interesses comerciais. “Eu não quero guerra, eu quero ganhar de você na narra. Ativa. Eu quero provar que você não tá sendo verdadeiro com o Brasil”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de interferência nas eleições, Lula afirmou que o Brasil não aceita ingerência de outros países no processo eleitoral. “Nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. E se entrar vai perder”, declarou. O presidente também disse ter transmitido essa posição a Trump. “Se fizer, vai perder. Eu disse pro Trump isso”, afirmou.

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