
A retirada de parte do sigilo das investigações sobre o Banco Master trouxe a público, entre a noite de quinta-feira (10/9) e esta sexta-feira (11/9), documentos até então restritos da Polícia Federal (PF). O material reúne informações sobre a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades, servidores públicos, contratos, troca de mensagens e movimentações financeiras investigadas pela corporação.
A divulgação dos autos também provocou uma disputa dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça abriu apenas parte dos procedimentos, enquanto Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR) defenderam a divulgação integral. Nesta sexta, o presidente da Corte, Edson Fachin, deu 24 horas para que o restante do material seja liberado.
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Noite de quinta-feira (10/9) — Fachin pede a retirada do sigilo
O movimento começou na noite de quinta-feira, quando Fachin pediu a Mendonça, relator dos processos relacionados ao Banco Master, a retirada do sigilo dos procedimentos e o compartilhamento do material com os demais ministros do STF.
Mendonça aceitou e liberou a investigação principal e outros 14 procedimentos, mas manteve documentos sob reserva para, segundo ele, não prejudicar diligências ainda em andamento.
Madrugada de sexta-feira (11/9) — Contratos do escritório de Viviane Barci de Moraes
A abertura dos autos revelou um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. O acordo previa três anos de prestação de serviços, incluindo atuação jurídica e consultoria estratégica perante diferentes órgãos públicos.
Outro documento tratava de uma contratação de R$ 50 milhões pela Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro. O escritório afirma que a proposta não foi aceita e que o contrato não chegou a ser assinado.
Servidores do Banco Central entram no foco da PF
Os documentos também detalham a relação de Vorcaro com dois servidores que atuavam na supervisão do Banco Central. A PF investiga se o ex-banqueiro custeou viagens internacionais e realizou pagamentos a integrantes da instituição.
Entre os episódios citados estão viagens a Paris e aos Estados Unidos. A investigação também encontrou um grupo de WhatsApp chamado “Master”, no qual Vorcaro e os servidores discutiam assuntos relacionados ao banco. As defesas negam irregularidades.
PF apura vazamento de informações para Vorcaro
Outra frente investiga se Vorcaro teve acesso antecipado a informações sobre a operação que resultou em sua prisão, em novembro de 2025. Mensagens e anotações encontradas pela PF indicam que o banqueiro reunia dados sobre o andamento das apurações antes da ação policial.
A corporação também analisa as circunstâncias de uma reunião realizada com integrantes do Banco Central no dia da prisão. Horas depois, Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos antes de embarcar para o exterior.
Grupo ligado ao banqueiro teria consultado dados do MPF
A investigação identificou ainda consultas a procedimentos sigilosos do Ministério Público Federal (MPF) por meio de credenciais de servidores. Parte das pesquisas envolvia o próprio Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Em uma das mensagens obtidas pela PF, Vorcaro pede acesso às informações encontradas e responde: “Quero tudo. Atenção total”. A investigação busca identificar como os dados chegaram ao grupo e se os titulares das credenciais tinham conhecimento dos acessos.
Flávio e Eduardo Bolsonaro aparecem nas investigações
Os documentos liberados também trouxeram informações sobre uma investigação relacionada ao financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF apura a participação de Flávio Bolsonaro nas negociações de recursos para a produção e as tratativas mantidas com Vorcaro.
Eduardo Bolsonaro aparece em mensagens relacionadas à administração, nos Estados Unidos, de valores destinados ao projeto. A investigação busca esclarecer a origem, o percurso e o destino final do dinheiro.
Na tarde desta sexta-feira (11/9) — Moraes pede abertura integral
A divulgação parcial provocou reação de Alexandre de Moraes. Nesta sexta-feira (11), o ministro pediu a Fachin que determinasse a retirada integral do sigilo e afirmou que parte relevante dos documentos continuava inacessível.
A PGR apresentou pedido no mesmo sentido. O órgão argumentou que a relação disponibilizada não abrangia todos os procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero.
Fachin dá 24 horas para divulgação do restante
Na tarde desta sexta-feira, Fachin determinou que Mendonça retire integralmente o sigilo dos procedimentos relacionados ao caso no prazo de 24 horas. Com a decisão, a divulgação iniciada na noite anterior ainda não estava concluída até as 17h20 desta sexta. A liberação do restante dos autos pode trazer mais novos elementos das investigações sobre o Banco Master.
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