
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, nesta segunda-feira (14/9), a retirada do sigilo de mais uma frente de investigação relacionada ao caso Master. O procedimento trata da rede de pagamentos atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília, e ao Banco Master, instituição financeira que foi extinta.
A manifestação foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) em resposta a um pedido feito pelo ministro Alexandre de Moraes no domingo (13). O magistrado solicitou que o conteúdo do inquérito fosse tornado público antes da sessão marcada para esta terça-feira (15), quando a Corte deverá discutir se há elementos que justifiquem a abertura de uma investigação sobre a relação entre o ministro e Vorcaro.
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O pedido foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, responsável pela condução do caso. Fachin, então, solicitou a manifestação da PGR. O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateabriand Filho, afirmou que o órgão é favorável à publicidade do material e destacou que a procuradoria não havia se manifestado anteriormente porque não tinha conhecimento da existência do documento.
Segundo Chateabriand, a retirada do sigilo é necessária para que os ministros tenham acesso à íntegra dos elementos relevantes antes de deliberar sobre o caso. “Como se trata de documento tido como relevante para que Ministro desse Tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve”, afirmou. Cabe agora a Fachin decidir se o conteúdo será efetivamente disponibilizado.
A nova solicitação ocorre em meio à crise provocada por um relatório da Polícia Federal que apontou uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro. O documento foi produzido por determinação do ministro André Mendonça, no âmbito das apurações sobre o Master. A PGR, porém, já defendeu o arquivamento do relatório, sob o argumento de que sua elaboração teria ocorrido sem comunicação prévia à presidência do STF, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.
Segundo o relatório da PF, foram localizadas 52 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. O documento também afirma que o ministro teria atuado diretamente na análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do magistrado. O julgamento sobre a possibilidade de investigação da relação entre Moraes e o banqueiro está previsto para amanhã.
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