OPERAÇÃO VECTURA CORRUPTA

Ex-vereador Milton Leite nega elo com PCC e promete se entregar em até 24 horas

Ex-presidente da Câmara de SP é investigado na Operação Vectura Corrupta, que apura infiltração do PCC no transporte

Fora da capital paulista durante a operação, o ex-presidente da Câmara rejeita as acusações de envolvimento no esquema -  (crédito: Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo)
Fora da capital paulista durante a operação, o ex-presidente da Câmara rejeita as acusações de envolvimento no esquema - (crédito: Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo)

Alvo de uma ordem de prisão temporária, o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) declarou que pretende se apresentar à polícia nas próximas 24 horas. Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, ele também negou qualquer ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), investigado por uma suposta infiltração em empresas responsáveis pelo transporte coletivo em municípios paulistas.

Leite não foi localizado nos endereços procurados pelas equipes que participam da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17/9) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Em conversas por telefone com veículos de imprensa, o ex-vereador informou que está fora da capital paulista e sustentou que não se considera foragido.

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"Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados", afirmou à Folha de S. Paulo. O ex-vereador negou todas as acusações. "Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, inclusive na negociação de uma greve em 2019", complementou.  

A operação apura a atuação da organização criminosa no setor de transporte público e suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos. Uma das linhas investigadas é a de que integrantes da facção teriam assumido a administração de empresas de ônibus que obtiveram licitações para prestar o serviço em cidades de São Paulo.

Nesta quinta-feira, as equipes saíram às ruas para cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Além da capital, as diligências ocorrem em Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Investigação começou em 2024

A apuração que chegou ao setor de transportes teve origem em outra frente de investigação sobre as atividades do PCC. Conforme a Polícia Civil informou ao Correio, a Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024 para investigar um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.

Naquele momento, os investigadores identificaram uma rede usada para manter a comunicação entre membros da facção que estavam presos e integrantes em liberdade. A estrutura incluía núcleos conhecidos como “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”. A investigação também encontrou projetos para inserir integrantes da organização criminosa na disputa política, por meio do lançamento de candidaturas nas eleições municipais.

Foi com o aprofundamento desse material que uma nova área de interesse entrou no radar dos investigadores. As apurações apontaram para pelo menos 12 empresas de transporte coletivo de passageiros, com atuação tanto na capital quanto no interior paulista, que teriam participação de pessoas investigadas por ligação com a facção.

As autoridades também trabalham com a suspeita de que esses negócios tenham sido utilizados para lavar recursos provenientes de atividades criminosas. A Operação Vectura Corrupta permanece em andamento, e a Polícia Civil informou que novos detalhes deverão ser apresentados após a conclusão das diligências.

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postado em 17/09/2026 13:42
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