
Um vídeo publicado pela coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, mostra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci, desembarcando de um avião no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025. Segundo o jornal, a aeronave era um Embraer Legacy 650, de matrícula PP-NLR, pertencente a uma empresa que tinha Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, entre os sócios.
O escritório Barci de Moraes confirmou que utiliza serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, ligada a Vorcaro, mas negou qualquer irregularidade ou vínculo pessoal com o banqueiro.
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De acordo com relatório da Polícia Federal, cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça, do STF, a aeronave aparece nas negociações relacionadas a um segundo contrato, de R$ 50 milhões, entre o escritório de Viviane Barci e a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro. O documento se somaria a um contrato já conhecido, de aproximadamente R$ 131 milhões, firmado com o Banco Master.
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O segundo contrato, localizado pela PF em trocas de mensagens entre Vorcaro e o advogado Leonardo Palhares, previa a prestação de serviços e honorários advocatícios. Entre as atividades descritas estavam consultoria nas áreas administrativa, tributária e trabalhista, atuação em inquéritos civis e criminais do Ministério Público e consultoria estratégica e atuação jurídica em processos judiciais em todas as instâncias.
O pagamento seria realizado ao longo de 36 meses, por transferência bancária da Viking para o escritório ou por meio de dação em pagamento, que poderia envolver bens imóveis, móveis ou serviços.
Aeronaves nas negociações
Em uma conversa de 16 de maio de 2025, Palhares apresentou a Vorcaro propostas para quitar o contrato. Uma delas previa R$ 40 milhões mediante a entrega de cotas de duas aeronaves e os R$ 10 milhões restantes por meio do reembolso de despesas relacionadas à utilização dos bens.
Segundo a PF, os ativos estavam vinculados às empresas F24 (Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A.) e F53 (PT-PCT Administração de Bem Próprio). A primeira possuía o Legacy 650, de prefixo PP-NLR, enquanto a segunda estava em processo de aquisição de um helicóptero EC 155 B1, fabricado pela Airbus Helicopters.
As duas empresas estavam sob o guarda-chuva da Prime Aviation. Ainda segundo o relatório, um dos sócios de Vorcaro, identificado como Marcos, informou ao banqueiro que as aeronaves já eram utilizadas por Moraes e Viviane.
Durante as negociações, uma das alternativas apresentadas previa a transferência dos bens com possibilidade de recompra futura. A proposta, porém, foi rejeitada por Vorcaro.
Os documentos divulgados não esclarecem se a transferência das aeronaves chegou a ser concretizada. De acordo com as informações apresentadas, não há registros na Junta Comercial de São Paulo que demonstrem a transferência das cotas.
Escritório nega vínculo com aeronaves
Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que utiliza serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, incluindo a Prime Aviation. Segundo o escritório, em nenhum dos voos realizados em aeronaves da empresa estiveram presentes Daniel Vorcaro ou outras pessoas alheias ao escritório. A nota também afirma que, em determinadas ocasiões, Viviane Barci foi acompanhada pelo marido, Alexandre de Moraes.
O escritório sustenta que a contratação de táxi aéreo segue critérios operacionais e não estabelece vínculo pessoal com os proprietários das aeronaves ou com operadores específicos. Segundo a defesa, a escolha das aeronaves cabe às empresas de aviação civil contratadas.
O Barci de Moraes também afirma que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation e que não realizou qualquer aquisição de cotas da empresa.
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