
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (22/9) a expansão das plataformas de apostas on-line e afirmou que o Brasil não aceitará um modelo de negócio que, segundo ele, transforma a dependência em fonte de receita e contribui para o endividamento das famílias. A declaração foi feita durante o discurso brasileiro na abertura do debate geral da 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Ao abordar os impactos da tecnologia sobre a sociedade, Lula colocou as bets entre os setores que, em sua avaliação, precisam de maior controle diante das consequências causadas aos usuários.
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"A indústria bilionária das BETs transforma o vício em lucro", disse Lula.
Na sequência, o presidente relacionou a rápida expansão das plataformas de apostas aos problemas financeiros enfrentados pelas famílias e disse que o país não pretende aceitar a continuidade desse modelo.
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"Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares. O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio."
Tecnologia sob regras
Antes de tratar diretamente das bets, Lula afirmou que o avanço tecnológico trouxe oportunidades, mas também riscos que exigem respostas dos governos. Para ele, deixar de regulamentar as grandes plataformas e a inteligência artificial representaria uma falha diante das mudanças em curso.
"Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das Big Techs e da Inteligência Artificial."
O presidente também criticou a concentração de poder entre grandes empresários do setor de tecnologia. Em sua avaliação, parte dessas empresas tenta avançar sem regras suficientes ou mecanismos de transparência.
"Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência."
Lula argumentou ainda que empresas responsáveis por produtos digitais não podem transferir integralmente às famílias a responsabilidade pelos efeitos provocados pelos algoritmos.
"Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos."
Ambiente digital e Pix
Depois das críticas às bets, o presidente citou medidas adotadas pelo Brasil para ampliar a proteção de grupos considerados mais vulneráveis no ambiente online, como o ECA Digital.
"Aprovamos uma das legislações mais avançadas do mundo para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital."
O presidente encerrou o trecho defendendo o Pix e rejeitando pressões que, segundo ele, buscariam transferir o sistema brasileiro de pagamentos para interesses privados. Lula apresentou a ferramenta como parte da política de inclusão financeira do país.
"Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros."
Brasil x EUA
O pronunciamento desta terça-feira marcou a décima participação de Lula como responsável pelo discurso brasileiro na abertura do debate geral da Assembleia da ONU. Pela tradição diplomática do encontro, o Brasil foi o primeiro Estado-membro a ocupar a tribuna, antes dos Estados Unidos, representados pelo presidente Donald Trump.
O discurso de Lula também ocorre em meio a uma disputa entre Brasil e Estados Unidos em torno do Pix. Em 2025, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras e incluiu o sistema de pagamentos entre os pontos questionados, sob a alegação de que políticas do Banco Central poderiam favorecer o Pix em detrimento de empresas norte-americanas de pagamentos.
Em 2026, o governo Trump voltou a citar o Pix como uma barreira comercial e afirmou que sua estrutura, por ser operada pelo Banco Central, poderia criar vantagens para o sistema brasileiro. O governo brasileiro rejeita essas acusações e sustenta que o Pix é uma infraestrutura pública, aberta à participação das instituições financeiras e responsável por ampliar a inclusão financeira
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