
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22/9), durante a abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que a Organização das Nações Unidas (ONU) atravessa o momento mais crítico de sua história recente. Em seu discurso, criticou a incapacidade da instituição de conter conflitos armados, proteger populações vulneráveis e responder às atuais tensões geopolíticas.
Ao saudar o secretário-geral da ONU, António Guterres, Lula afirmou que, ao longo de seus dois mandatos, o chefe da organização teria testemunhado “crescentes desmandos da superpotência”. O presidente brasileiro também disse que seu sentimento ao retornar à tribuna era de “indignação”.
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Segundo Lula, a credibilidade da ONU “nunca esteve tão baixa”, enquanto sua capacidade de proteger pessoas sem exércitos ou arsenais “nunca foi tão pequena”. Para o presidente, o cenário está relacionado, entre outros fatores, ao que classificou como imobilismo do Conselho de Segurança.
“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, declarou.
Críticas ao poder de veto
O presidente Lula também retomou uma crítica histórica do Brasil ao sistema de votação do Conselho de Segurança. Segundo ele, já na primeira sessão da Assembleia Geral, em 1946, o país alertava para o custo que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto.
Na avaliação apresentada pelo petista, o mecanismo previsto na Carta da ONU acabou conferindo às grandes potências um privilégio que contribuiu para a atual crise da organização.
O discurso também relacionou o cenário internacional ao aumento dos conflitos armados. Lula afirmou que 2025 registrou o maior número de guerras desde a Segunda Guerra Mundial e alertou para o crescimento dos gastos militares e para uma nova corrida armamentista. “Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista”, disse.
Risco de escalada global
O líder brasileiro afirmou ainda que as tensões geopolíticas atuais podem transformar confrontos regionais em uma “conflagração de proporções globais”. Diante desse cenário, cobrou dos países que ocupam posições de liderança no Conselho de Segurança uma atuação que, segundo ele, deve combinar responsabilidade e urgência.
Lula defendeu que os líderes dos países integrantes do Conselho de Segurança se reúnam para discutir a situação internacional. “Não desconheço as realidades do poder, mas as concessões à Lei do Mais Forte já passaram dos limites.”
Na sequência, o presidente rejeitou a ideia de que sua posição represente apenas uma visão idealista sobre as relações internacionais. “Isso não é idealismo, é o mais puro realismo”, declarou.
Em outro trecho do discurso, Lula apresentou uma definição sobre o papel da diplomacia e das negociações na prevenção de conflitos. “A guerra não é a continuação da política por outros meios, é a falência total da política”, afirmou.
O presidente também defendeu que, em um mundo marcado pela interdependência entre os países, os líderes devem buscar conciliar interesses nacionais e interesses da humanidade. “Ao mundo interdependente, liderar é conciliar interesse da pátria com o da humanidade.”
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