Ambiente virtual

Deepfakes viram principal ameaça digital às eleições, diz pesquisa

Guia do CGI.br mostra como vídeos falsos e conteúdo de baixa qualidade se espalham no WhatsApp para minar a confiança e influenciar o eleitor

Os arquivos com os resultados são transmitidos posteriormente à Justiça Eleitoral por meios protegidos. Antes de serem incorporados à totalização nacional, passam por mecanismos de verificação baseados em assinaturas digitais e criptografia, que permitem confirmar a autenticidade e a integridade das informações. Caso qualquer alteração indevida seja detectada, o sistema rejeita automaticamente os arquivos, impedindo que dados modificados sejam computados.
 -  (crédito: Divulgação/TRE-TO)
Os arquivos com os resultados são transmitidos posteriormente à Justiça Eleitoral por meios protegidos. Antes de serem incorporados à totalização nacional, passam por mecanismos de verificação baseados em assinaturas digitais e criptografia, que permitem confirmar a autenticidade e a integridade das informações. Caso qualquer alteração indevida seja detectada, o sistema rejeita automaticamente os arquivos, impedindo que dados modificados sejam computados. - (crédito: Divulgação/TRE-TO)

Vídeos falsos criados por inteligência artificial e informações de baixa qualidade se tornaram a principal ameaça digital às eleições e à democracia, superando as tradicionais fake news. A constatação está na segunda edição do Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado nesta terça-feira (22/9) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

O documento revela uma mudança significativa desde a primeira edição, de 2018. Naquele ciclo eleitoral, a desinformação circulava principalmente em redes abertas, como o Facebook. Hoje, o WhatsApp e outras plataformas restritas são os principais canais de difusão, com conteúdos espalhados simultaneamente por múltiplos meios.

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A análise identificou que o formato do conteúdo também mudou. "Em termos de formato, o vídeo passou a ser o principal vetor, quase sempre acompanhado de um texto curto que ancora e legitima a narrativa falsa", aponta o documento. O cenário é tão relevante que o Fórum Econômico Mundial já considera a desinformação um dos maiores riscos globais.

O avanço da Inteligência Artificial

As ferramentas de inteligência artificial generativa, que estrearam no ciclo eleitoral de 2022, devem ter um impacto ainda maior neste ano. Aliadas a sistemas de difusão, elas permitem o direcionamento de conteúdo para perfis específicos de usuários, com roteiros complexos que aumentam a aparência de verdade.

"Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem", afirma a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.

Ela ressalta que essas empresas privadas seguem objetivos econômicos, e não o interesse público. "Compreender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e quais impactos isso produz sobre o debate público é fundamental para fortalecer a integridade da informação e a própria democracia. Esclarecer esses mecanismos é uma das finalidades do guia”.

Alerta sobre a desconfiança

A publicação, disponível no site do CGI.br, destaca que a maior preocupação com as deepfakes é o realismo. Com o aprimoramento constante, esse tipo de material enganoso tem potencial para confundir até os eleitores mais atentos e experientes na avaliação de conteúdos digitais.

Isso pode gerar uma desconfiança generalizada sobre qualquer informação, incluindo as verdadeiras. "A perda de confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, somada à polarização política, também contribuem para esse cenário, fazendo com que convicções pessoais se sobreponham à verificação dos fatos", alerta o guia.

Outro problema que surge com esse clima é a tendência de as pessoas consumirem apenas o que confirma suas crenças. "Quando se deparam com informações que contrariam essas crenças, tendem a descartá-las — a chamada racionalidade motivada. Nesse sentido, podem produzir o efeito de reforço ideológico", finaliza o estudo.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 22/09/2026 22:40 / atualizado em 22/09/2026 22:40
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