
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalha com um cenário de maior dificuldade para segurar partidos do Centrão longe do palanque de Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. Diante da avaliação de que parte dessas siglas tende a se aproximar do senador, a estratégia passou a ser outra: explorar dissidências regionais e preservar pontes com caciques que mantêm interlocução com o governo.
Nesse movimento, entram no radar nomes como os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além dos grupos políticos ligados aos dois congressistas. A leitura entre aliados de Lula é de que, mesmo diante de uma eventual adesão formal de legendas a Flávio, ainda haverá espaço para acordos nos estados e apoios fora das orientações partidárias.
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Ao Correio, integrantes da campanha reconhecem que o ambiente mudou ao longo da corrida eleitoral. A avaliação é de que o desempenho de Flávio nas pesquisas tornou o candidato do PL mais atraente para setores do Centrão. Ao mesmo tempo, movimentos do próprio presidente acabaram criando ruídos com dirigentes que, até então, mantinham uma posição de maior distância da disputa presidencial.
Um dos casos citados nos bastidores envolve Ciro Nogueira (PP-PI). Presidente nacional do Progressistas e candidato à reeleição ao Senado, o parlamentar conduziu a legenda à neutralidade no primeiro turno e evitou um embarque direto na campanha de Flávio. A posição também atendia à dinâmica eleitoral do Piauí, estado em que Lula mantém forte capital político, tendo recebeu 76,8% dos votos válidos no segundo turno de 2022.
A relação, porém, sofreu um novo desgaste após a passagem de Lula por Teresina, no início de setembro. Em ato de campanha, o presidente deixou claro que seus candidatos ao Senado são Júlio César (PSD) e Marcelo Castro (MDB) e afirmou que não aceita "vira-lata" ao seu lado. A declaração foi interpretada nos meios políticos como uma referência a Ciro.
"Quero que vocês saibam: eu não tenho outro candidato ao Senado. Os meus senadores são o Júlio César e o Marcelo Castro. Para que a gente demonstre de uma vez por todas que não aceita vira-lata do nosso lado. Nós queremos gente do bem", afirmou Lula.
Ciro, que integrou a Casa Civil de Jair Bolsonaro, já esteve em campos políticos distintos ao longo das últimas décadas e apoiou governos petistas antes de se aproximar do ex-presidente. Na eleição deste ano, entretanto, optou por manter o PP fora de uma aliança presidencial formal no primeiro turno.
Nos bastidores, aliados do senador consideraram a declaração de Lula uma quebra do chamado "pacto de não agressão" discutido entre os dois campos. O entendimento havia entrado nas negociações para manter a federação União Brasil-PP neutra na primeira etapa da eleição, segundo interlocutores envolvidos nas conversas. O PT, oficialmente, nega que tenha firmado esse compromisso.
Operação para reduzir perdas
É justamente sobre essas pontes que a campanha de Lula tenta atuar agora. Presidente do PT e coordenador-geral da campanha presidencial, Edinho Silva participou das articulações que ajudaram a construir a neutralidade de setores do Centrão no primeiro turno e mantém interlocução com Ciro Nogueira.
O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, também integra a operação política. A missão, neste momento, não passa necessariamente por impedir que as cúpulas partidárias se aproximem de Flávio, cenário considerado difícil por integrantes da campanha. O esforço é reduzir o tamanho desse desembarque.
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