Saúde pública

Fiocruz desenvolve vacina de RNA contra covid com tecnologia nacional

Primeira etapa da pesquisa está prevista para começar em 2027. Fármaco faz parte da estratégia de fazer com que o Brasil não dependa de importações em momentos agudos — como na pandemia — e amplie o acesso à população pelo SUS

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os estudos clínicos da primeira vacina brasileira contra a covid-19 com tecnologia de RNA mensageiro (RNAm). Será testada como dose de reforço e ampliará a capacidade nacional de desenvolvimento e fabricação de vacinas.

A primeira etapa da pesquisa está prevista para começar no início de 2027. O produto já passou pela etapa pré-clínica, com resultados que demonstraram proteção contra a doença. Também foram realizados estudos que fazem parte do processo de preparação para os testes em seres humanos.

A tecnologia de RNA mensageiro funciona a partir de instruções que orientam o organismo a produzir uma resposta contra determinado agente. O fármaco vem sendo desenvolvido na plataforma própria de RNAm de Bio-Manguinhos. Segundo o presidente da Fiocruz, Mário Moreira, "a consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a emergências sanitárias, reduz a dependência de tecnologias externas e cria uma base para o desenvolvimento de novos produtos voltados a diferentes desafios do Sistema Único de Saúde (SUS)".

Uma das características da plataforma é a possibilidade de adaptar a mesma estrutura para diferentes vacinas e terapias, alterando as informações utilizadas para estimular o sistema imunológico. A covid-19 foi escolhida como primeiro alvo da plataforma porque, na pandemia, já havia sido o uso de vacinas de RNAm.

Mas, segundo Patrícia Neves, líder do projeto RNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz, pesquisas também estão sendo desenvolvidas para outras doenças. "Estamos com estudos em andamento para outras vacinas, contra leishmaniose e tuberculose, por exemplo, e sabemos que é possível produzir terapias voltadas a doenças como o câncer", explicou.

Patrícia observa que a produção nacional pode diminuir o tempo para desenvolver novos medicamentos. "Possibilita o desenvolvimento e a produção nacional de produtos de saúde inovadores em menor tempo, a custos reduzidos e, consequentemente, amplia o acesso da população a imunizantes de última geração", disse.

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, salientou que "ter um estudo clínico desse porte, com tecnologia inovadora e feito por uma instituição pública, é uma demonstração concreta do compromisso com a proteção à saúde e com o desenvolvimento da ciência".

 

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