Responsável por indicar Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente da República Michel Temer (MDB) afirmou, na noite desta quarta-feira (9/9), que preservar a integridade da Corte e a harmonia entre os Poderes é uma "questão de sobrevivência" para a República.
Em vídeo publicado no Instagram, Temer fez um apelo e disse estar "profundamente preocupado" com o país e criticou a condução das atuais crises institucionais. "Muitos apontam que há uma certa insensatez na forma como essas crises vêm sendo conduzidas. Há, penso eu, no mínimo, uma grave dificuldade em compreender o papel das nossas instituições", afirmou.
O ex-presidente também relacionou o cenário à proximidade das eleições. Segundo ele, o momento deveria ser dedicado à discussão dos rumos do país. "O clima deveria ser de debate plural, focado no futuro do Brasil. Mas, infelizmente, não é isso que estamos percebendo", declarou.
A manifestação ocorre em meio ao embate entre ministros do STF provocado pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master. A crise envolve Alexandre de Moraes e André Mendonça e se agravou após decisões divergentes sobre o comando da Polícia Federal.
Sem citar os integrantes da Corte, Temer afastou a defesa de interesses individuais e colocou o STF no centro de sua manifestação. "O que deve prevalecer não são as pessoas, mas, sim, as instituições", disse. Em seguida, acrescentou: "O que me move não é a defesa de indivíduos, mas a defesa irrestrita da integridade das instituições, em particular do Supremo Tribunal Federal".
Temer também associou o respeito ao texto constitucional à soberania popular. "Toda desobediência ao texto constitucional não é apenas uma inconstitucionalidade de natureza jurídica. É, acima de tudo, uma desobediência direta à vontade soberana do povo brasileiro", afirmou.
O ex-presidente pediu que o tribunal resolva rapidamente as divergências. "Impõe-se que a Suprema Corte logo decida a questão para impedir o clima de instabilidade no país", declarou. Para Temer, o STF dispõe dos instrumentos constitucionais necessários para solucionar os próprios conflitos por meio do diálogo e do respeito.
Nesta quarta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira (15/9). Os ministros analisarão o processo que reúne um relatório da Polícia Federal sobre a rede de influência atribuída ao empresário Daniel Vorcaro e que apresentou elementos envolvendo Moraes.
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