A Executiva Nacional do PT decidiu nesta quarta-feira (10/9) que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição precisa se adaptar às mudanças na conjuntura política das últimas semanas e adotar uma comunicação mais enfática. A avaliação feita durante a reunião é de que o cenário eleitoral mudou de forma significativa nos últimos 10 dias e exige respostas mais rápidas e diretas do partido e da campanha.
Entre as principais diretrizes definidas estão o reforço da defesa da reforma do Poder Judiciário, da reforma política e eleitoral, da renda das famílias, da segurança pública e da educação. O partido também pretende transformar temas considerados abstratos, como soberania nacional, em propostas e situações mais próximas do cotidiano dos eleitores.
Segundo o presidente do partido, Edinho Silva, a orientação é alinhar as diretrizes definidas pela Executiva Nacional à comunicação da campanha, para que essas bandeiras sejam apresentadas de forma mais clara nos próximos programas e ações eleitorais.
A reforma do Judiciário ganhou espaço central na resolução aprovada pela Executiva. O partido pretende defender, entre outras medidas, a ampliação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), com maior participação da sociedade civil nos órgãos de fiscalização, além da adoção de mandatos para ministros dos tribunais superiores.
A defesa de mandatos para as cortes superiores já havia sido mencionada anteriormente por Lula e, segundo o dirigente, será defendida pelo presidente durante a campanha. A definição, no entanto, foi apresentada como uma diretriz da direção partidária, e não necessariamente como uma proposta formal já incorporada ao programa de governo.
Crítica a vazamentos
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) também entrou no debate da Executiva Nacional. O PT decidiu cobrar o levantamento do sigilo de todas as investigações em andamento relacionadas aos episódios que envolvem a Corte.
O partido já ingressou com uma ação para pedir a abertura dos sigilos das investigações que tramitam no STF. A justificativa apresentada é de que vazamentos seletivos podem interferir na disputa eleitoral e comprometer o princípio de equidade entre os candidatos.
A avaliação petista é de que não seria adequado defender a abertura do sigilo apenas de uma investigação específica. A referência feita pelo presidente do partido ao caso do Banco Master, segundo o dirigente, ocorreu porque o episódio estava relacionado à crise no Supremo naquele momento.
