Nova York

Lula defende maior presença de mulheres no poder em discurso na ONU

Presidente diz que Brasil deve ser um país onde mulheres não precisem "pedir licença" para ocupar espaços de poder e destacou a violência como problema mundial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (22/9), durante discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a ampliação da participação das mulheres em espaços de poder e no mercado de trabalho. Lula também afirmou que o Brasil deve avançar no combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres.

“Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho”, afirmou o presidente.

Na sequência, Lula destacou a necessidade de combater a violência de gênero. Segundo ele, o objetivo é construir “um país livre do feminicídio”, no qual nenhuma mulher esteja submetida à ameaça de violência, seja dentro ou fora de casa. “Essa é uma causa que o mundo todo precisa abraçar”, declarou.

Combate às desigualdades

Após abordar a situação das mulheres, Lula ampliou o discurso para o papel histórico da ONU na promoção dos direitos humanos e no enfrentamento das desigualdades. Ao citar o ex-líder do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos Martin Luther King, o presidente brasileiro afirmou que a reconstrução das sociedades depende da capacidade de pessoas e instituições de agir em favor do próximo.

Ele mencionou uma frase atribuída a King durante o recebimento do Nobel da Paz: “aquilo que pessoas voltadas para si mesmas destruíram, outras pessoas voltadas para o próximo podem reconstruir”.

Para Lula, a ONU surgiu associada à esperança e, ao longo de oito décadas, participou de processos de descolonização, da promoção dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável. O presidente também citou ações da organização na proteção de migrantes e refugiados e no combate ao racismo, ao antissemitismo e à intolerância religiosa.

Segundo Lula, essas transformações foram impulsionadas por lideranças que se recusaram a aceitar determinadas desigualdades e conflitos como inevitáveis. “Homens e mulheres que se recusaram a aceitar a guerra como destino, o colonialismo como direito, o apartheid como sistema legítimo”, afirmou.

Ao concluir o trecho, Lula defendeu que a ONU recupere a capacidade de articulação política diante dos desafios atuais. “Diante da paralisia das Nações Unidas, precisamos reencontrar a vontade política para que volte a ser o templo da paz”, declarou.


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