O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante o discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22/9), que o Brasil pretende conciliar crescimento econômico, redução de emissões e exploração de recursos naturais. Ao abordar a crise climática, Lula destacou os impactos do aquecimento global sobre populações vulneráveis e defendeu a continuidade da agenda ambiental brasileira.
Segundo o presidente, fenômenos climáticos já demonstram que os efeitos das mudanças no clima ultrapassam fronteiras. “A natureza nos recorda a cada dia que o planeta é um só”, afirmou. Lula citou o derretimento das geleiras do Himalaia e alertou para os possíveis efeitos de um “Super El Niño”, que, segundo ele, pode provocar chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais em diferentes regiões do mundo. “Seus efeitos golpearão sobretudo os mais vulneráveis”, disse.
Ao tratar da política energética, Lula afirmou que o Brasil tem buscado combinar crescimento econômico e redução das emissões. O presidente destacou a autossuficiência brasileira em petróleo e afirmou que o país continuará pesquisando novas reservas, mencionando especificamente o potencial da Margem Equatorial. Apesar da defesa da exploração de petróleo, Lula afirmou que o governo não pretende abrir mão das políticas ambientais. “Não renunciaremos à agenda ambiental”, declarou.
O presidente também disse que o Brasil dará continuidade ao chamado Mapa do Caminho para a descarbonização da economia e citou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30, em Belém, como exemplo de uma mudança na forma de tratar a preservação das florestas. “A floresta vale mais em pé do que destruída”, afirmou. Lula também destacou a redução do desmatamento na Amazônia. Segundo ele, houve uma redução pela metade, e o índice atingiu o menor nível em 11 anos.
Minerais críticos
Na parte do discurso dedicada aos recursos naturais, Lula afirmou que o Brasil possui uma posição estratégica diante da transição energética global. O presidente classificou o país como uma “referência mundial em energia verde” e destacou a existência de minerais críticos e terras raras necessários para a mudança da matriz energética.
Lula defendeu, porém, que a exploração desses recursos seja acompanhada de benefícios econômicos e tecnológicos para o país. “Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas”, afirmou.
Segundo o presidente, o acesso aos minerais brasileiros deverá ter como contrapartida a geração de valor dentro do território nacional, a transferência de tecnologia e o fornecimento a setores considerados estratégicos.
Lula também associou a agenda ambiental às relações comerciais internacionais. O presidente afirmou que o Brasil tem “autoridade moral” para rejeitar o que classificou como medidas protecionistas apresentadas sob o argumento de defesa ambiental.
Ao longo do discurso, Lula procurou apresentar a política ambiental e a exploração dos recursos naturais como agendas compatíveis, defendendo a preservação das florestas ao mesmo tempo em que sustentou a importância estratégica do petróleo, dos minerais críticos e das terras raras para o desenvolvimento brasileiro.
