Brasil x EUA

Alerta dos EUA já mobilizava governo antes de suspensão de consulados

Auxiliares de Lula já acompanhavam alerta do governo de Donald Trump e avaliam pressão eleitoral nos bastidores

Oficialmente, Washington atribuiu a medida a preocupações de segurança e não estabeleceu relação entre o fechamento temporário e a eleição de domingo (4/10) -  (crédito: AFP)
Oficialmente, Washington atribuiu a medida a preocupações de segurança e não estabeleceu relação entre o fechamento temporário e a eleição de domingo (4/10) - (crédito: AFP)

A decisão dos Estados Unidos de suspender os serviços consulares no Brasil nesta sexta-feira (2/10) foi precedida por uma movimentação nos bastidores entre autoridades brasileiras e norte-americanas. Antes mesmo do anúncio público, o governo do Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia recebido demandas de Washington relacionadas à segurança das representações diplomáticas e buscava levantar informações para tentar mitigar as preocupações apresentadas pelos americanos.

Auxiliares do petista afirmam que o assunto já estava no radar do governo. A atuação brasileira envolveu apurações sobre as preocupações levadas pelos Estados Unidos e o acompanhamento da situação das embaixadas e consulados. Em Brasília, por exemplo, a proteção das representações diplomáticas está entre as atribuições do Batalhão Rio Branco, da Polícia Militar do Distrito Federal.

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O movimento ajuda a explicar por que, internamente, a suspensão não foi tratada apenas como uma decisão repentina de Washington. O Departamento de Estado confirmou que trabalha com autoridades brasileiras para tratar da situação, mas não tornou pública a natureza da ameaça. Funcionários da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília foram orientados a trabalhar de casa, enquanto os serviços consulares não emergenciais foram suspensos no país.

Não há, até o momento, prazo definido para que esse trabalho de mitigação seja concluído. A avaliação entre autoridades brasileiras é de que compete ao poder público acompanhar as preocupações apresentadas pelas missões estrangeiras e adotar as medidas necessárias de segurança. O ponto ainda em aberto é justamente a origem e a dimensão do risco que motivou a decisão norte-americana.

Nos bastidores do governo, porém, o momento escolhido pelos Estados Unidos também entrou na equação. Auxiliares de Lula avaliaram a possibilidade de o movimento produzir uma espécie de pressão psicológica às vésperas do primeiro turno, diante da aproximação de integrantes da ala Maga com Flávio Bolsonaro (PL) e das tensões acumuladas entre Brasília e Washington durante o processo eleitoral.

Essa é, contudo, uma leitura política feita por integrantes do governo brasileiro. Não há, até agora, evidência pública de que a suspensão tenha sido determinada com o objetivo de favorecer Flávio. Oficialmente, Washington atribuiu a medida a preocupações de segurança e não estabeleceu relação entre o fechamento temporário e a eleição presidencial deste domingo (4).

Austrália

A diferença de avaliação fica mais evidente no caso da Austrália. O país também decidiu fechar sua embaixada em Brasília nesta sexta, mas, segundo interlocutores brasileiros, não havia uma ameaça específica identificada pelos australianos contra sua representação. A decisão teria sido tomada a partir da comunicação feita pelos Estados Unidos e como medida preventiva. Publicamente, a Austrália também alegou preocupações de segurança.

Para integrantes do governo, portanto, os dois movimentos não são tratados da mesma forma. No caso norte-americano, já havia uma demanda anterior e ações brasileiras em curso para entender e mitigar os riscos apresentados por Washington. No australiano, a avaliação repassada a Brasília é de que o fechamento ocorreu na esteira do alerta dos EUA.

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AH
postado em 02/10/2026 16:07 / atualizado em 02/10/2026 16:15
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