
A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai encaminhar a organismos internacionais uma denúncia sobre supostas falhas nas plataformas da Meta que, segundo a coligação, prejudicam a divulgação de conteúdos do candidato. O material será apresentado a missões de observação eleitoral e a entidades que atuam na defesa da liberdade de expressão e da democracia.
Em nota, divulgada nesta quarta-feira (14/10), a campanha afirma que os problemas registrados desde o início da disputa levantam suspeitas sobre a atuação da empresa no processo eleitoral. “A sucessão de problemas técnicos não explicados pela empresa levanta forte suspeita de que a ação da Meta se configure como uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro, em benefício à candidatura de Flávio Bolsonaro”, diz o documento.
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A coligação prevê apresentar a denúncia em reunião com missões de observação eleitoral marcada para esta quinta-feira (15), em Brasília. Segundo a nota, o material também será encaminhado a organismos com atuação nas áreas de liberdade de expressão e democracia e incluirá relatórios de entidades da sociedade civil e mais de 2,7 mil denúncias individuais recebidas pela campanha nos três dias anteriores.
Entre os episódios relatados estão a interrupção temporária da conta de anúncios de Lula, a queda na contagem de visualizações de publicações de apoio ao presidente e o bloqueio, por 24 horas, do impulsionamento de conteúdos no feed do Instagram. A campanha também aponta diferenças no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial e de busca do WhatsApp.
A nota afirma que a Meta atribuiu os episódios a falhas técnicas que teriam atingido outros anunciantes e mercados, mas questiona a falta de comprovação. Segundo a coligação, a empresa não apresentou, na maioria dos casos, evidências de que outros candidatos brasileiros tenham sido afetados.
Engajamento
Outro ponto levantado é a diferença de engajamento entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), também candidato à Presidência. De acordo com os dados citados pela campanha, Flávio obtém quase o triplo de engajamento, apesar de ter 17% menos seguidores que o presidente. A nota, porém, não informa o período considerado nem a metodologia usada para chegar aos números.
A campanha sustenta que a falta de transparência das plataformas dificulta a verificação dos episódios. “A ausência de transparência nos sistemas da empresa faz com que essas explicações sejam escassas e opacas”, afirma o documento.
A coligação também relaciona a denúncia à disputa sobre a circulação de conteúdos políticos nas redes sociais. Segundo a nota, a campanha de Flávio tem tentado acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra publicações digitais de Lula e de seus apoiadores, entre eles o deputado eleito André Janones.
Ao justificar o recurso a organismos internacionais, a equipe de Lula afirma que a concentração do controle sobre as plataformas digitais ultrapassa a esfera privada. "A denúncia a órgãos internacionais busca dar visibilidade aos efeitos do controle que empresas transnacionais detém sobre a infraestrutura de comunicação, sobre a segurança, armazenamento, distribuição e fluxo de informações, que desafia a soberania de nações inteiras e é foco de crescente preocupação mundial", argumenta.
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