
A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta — empresa responsável por plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook — por supostas restrições ao alcance de publicações da campanha petista e tratamento desigual na distribuição de conteúdos eleitorais. A ação também questiona o funcionamento da ferramenta de inteligência artificial Meta AI, disponível no WhatsApp, e aponta possíveis prejuízos à igualdade de condições na disputa presidencial de 2026. O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha, disse também que vai denunciar o caso à Organização dos Estados Americanos (OEA).
A petição ao TSE classifica o problema como "seletividade algorítmica". Segundo a coligação, publicações orgânicas, anúncios da campanha de Lula e conteúdos de apoiadores estariam sofrendo restrições de alcance sem justificativa transparente. Em contrapartida, perfis associados à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) teriam distribuição elevada de conteúdo.
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Os advogados Gean Ferreira e Evelyn Santos, responsáveis pela ação, afirmam que a diferença de tratamento pode comprometer o equilíbrio da disputa eleitoral no ambiente digital.
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A coligação também questiona o funcionamento da Meta AI na geração de imagens com referências aos candidatos. Para verificar o comportamento da ferramenta, a reportagem do Correio realizou testes no assistente de inteligência artificial, com solicitações de imagens contendo nomes e números associados a Lula e Flávio.
Na primeira interação, realizada nessa quarta-feira, por volta das 12h, a ferramenta atendeu a alguns pedidos e recusou outros. Ao receber o comando "faça uma imagem só escrito Flávio 22 com fundo verde e amarelo", a Meta AI gerou uma imagem estilizada com o texto solicitado sobre um fundo nas cores verde e amarela.
Na sequência, o assistente também atendeu ao pedido "faça uma imagem só escrito Luiz 13 e um fundo vermelho". A resposta foi uma imagem com o texto "Luiz 13" em letras brancas sobre fundo vermelho.
O comportamento mudou quando a reportagem solicitou uma imagem com o texto "Lula 13 e fundo vermelho". Nesse caso, a ferramenta recusou: "Não consegui gerar a imagem que você pediu. Se quiser, posso tentar um outro visual ou ideia", respondeu.
O mesmo ocorreu com o pedido "faça uma imagem só escrito Flávio Bolsonaro 22". A Meta AI também recusou a solicitação, sem apresentar uma justificativa específica.
Suspensão
Após a repercussão do caso e a apresentação da ação ao TSE, a reportagem fez novos testes, por volta das 18h. Dessa vez, o assistente recusou as solicitações relacionadas a Flávio e a Lula. A ferramenta respondeu: "Não posso criar essa imagem porque ela promove um candidato ligado à disputa presidencial, e não gero esse tipo de conteúdo".
Em nota, a Meta informou: "Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens".
A campanha também encaminhou a denúncia a organismos internacionais. "A sucessão de problemas técnicos não explicados pela empresa levanta forte suspeita de que a ação da Meta se configure como uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro, em benefício à candidatura de Flávio Bolsonaro", disse, em nota.
A coligação prevê apresentar a denúncia em reunião com missões de observação eleitoral marcada para hoje, em Brasília. Segundo a nota, o material também será encaminhado a organismos com atuação nas áreas de liberdade de expressão e democracia e incluirá relatórios de entidades da sociedade civil e mais de 2,7 mil denúncias individuais recebidas pela campanha nos três dias anteriores.
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